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Grupo de estudos – “O colorismo em Alice Walker e a construção interseccional de feminilidades negras”

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Ontem (19) iniciamos o nosso grupo de estudos quinzenal com a leitura do texto “O Colorismo em Alice Walker e a construção interseccional de feminilidades negras” de Larissa Fontana. O texto foi apresentado pela professora Fernanda Carrera, líder do nosso laboratório. Neste período, vamos nos aprofundar nos estudos sobre Colorismo e você está convidada(e/o) a embarcar nesse caminho conosco. A seguir, você confere um pouquinho do que foi discutido na reunião. 

O Colorismo é um “conceito guarda-chuva” que abrange diversos pontos da discussão racial, envolvendo a forma como você enxerga o outro e a si mesma, na dimensão da alteridade e da identificação para além, inclusive, da cor da pele. A autora Larissa Fontana fez o trabalho de analisar os discursos sobre colorismo e já na introdução responde a questionamentos sobre o termo. O discurso sobre colorismo corresponde à mesma lógica de interseccionalidade, trata-se de experiências diferentes de ser e estar no mundo enquanto pessoa racializada. Ou seja, ninguém tem uma experiência homogênea em relação à racialidade e às opressões, tudo depende de uma série de contextos que envolvem gênero, classe, território, sexualidade, geração e outros fatores. 

Alice Walker, autora do best-seller “A cor púrpura”, foi a primeira pessoa a usar o termo colorismo. O conceito nasce da base, da vivência, assim como o conceito de interseccionalidade; não nasce das produções acadêmicas. Podemos pensar o colorismo como “uma denúncia de dentro”. Desmistificando a identidade da criadora do conceito, é interessante refletir sobre o trabalho de Alice Walker fora dos muros da academia, ambiente que segue se apropriando de saberes desenvolvidos pelo olhar da experiência. 

O colorismo é um mecanismo de gradação dentro da lógica racial que envolve cor de pele mas não se encerra nela; é sobre percepção racial. Assim, podemos dizer que fatores como gênero, classe e território, assim como cabelo e corpo também aproximam uma pessoa negra de pele escura do privilégio racial mesmo que ela seja uma pessoa negra retinta. Portanto, não é apenas uma questão sobre melanina. 

Não existe violência por colorismo, seja para pessoas de pele clara ou de pele escura. Na verdade, quem sofre por meio de raça, sofre pela dinâmica do racismo. Há quem diga que o colorismo se configura enquanto um sistema de fragmentação interna da comunidade negra. Entretanto, é uma fala errônea por supôr que a própria comunidade tivesse escolhido se fragmentar. O colorismo como mecanismo de hierarquização no racismo é uma invenção externa. 

Referência:

FONTANA, Larissa. O colorismo em Alice Walker e a construção interseccional de feminilidades negras. Revista Letras. Curitiba: 2022, p. 140 – 16. 

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