Ontem (01) foi dia de grupos de estudos no LIDD. Tivemos a oportunidade de ler um capítulo, em andamento, da dissertação de mestrado em Comunicação da Giselle Mendes, integrante do grupo. Com o título “Negro tema e Negro vida: A mulher preta nas telenovelas brasileiras”, o trabalho de Giselle investiga a representação de mulheres pretas nas telenovelas brasileiras, transmitidas em rede nacional nos últimos 25 anos, através da trajetória da atriz Taís Araújo.
Entendendo que as novelas reproduzem dinâmicas do cotidiano, Giselle conta que as telenovelas sempre foram para ela um canal de debate com sua família, onde era possível conversar sobre questões raciais de forma simples. Para a análise da pesquisa, ela faz um recorte temporal e avalia a participação da atriz em algumas novelas das décadas de 1990 e do início dos anos 2000: “Xica da Silva” (1996), “Da cor do Pecado” (2004), “Cobras e Lagartos” (2006), “Viver à Vida” (2009) e “Amor de Mãe” (2018). Entre os seus referenciais teóricos, estão Frantz Fanon e Lélia Gonzalez.
A partir dos estudos de Fanon, Giselle ressalta que mesmo a Taís Araújo sendo a Preta de “Da cor do Pecado” (convenhamos que esse título já é bastante problemático, não?) e a Helena de Manoel Carlos em “Viver à vida”, a atriz ainda continua sendo discriminada. A trajetória de Taís na teledramaturgia nos mostra como o mito da democracia racial é um projeto falido, ainda que ela seja protagonista e esteja em lugar de destaque. Antes de atriz, Taís é uma mulher negra, seu primeiro figurino é a sua pele.
Durante o nosso encontro algumas perguntas acompanharam o debate: Por que Taís Araújo é sempre a mulher negra escolhida para papéis de destaque? Por que, na maioria dos casos, ela é a única atriz negra em programas da Rede Globo? Por que sempre cobram posicionamento da atriz?
Terminamos a reunião ansiosas para ler mais do trabalho de Giselle, que com certeza será uma excelente contribuição para o seu campo.