“Até que os leões inventem suas próprias histórias, os caçadores sempre serão os heróis das narrativas de caça”.
Provérbio Bantu
O pensamento Mulherista Africana adota uma abordagem afrocêntrica pensada para resgatar o conceito de matriarcalidade do povo preto. Por matriarcalidade entende-se uma crença ancestral africana que posiciona a mulher como o centro vital e organizacional da comunidade. Enquanto para o ocidente a mulher tem por função gerir e procriar, no continente africano a sua função é gerar a potência da comunidade. Assim, as mulheristas pensam o lugar da mulher no mundo a partir de sua própria agência, destacando a capacidade dos povos em diáspora de recontar, reconstruir e criar suas próprias identidades culturais, políticas e sociais.
Segundo a professora Ana Nzeri, o século XXI é o século de acirramento de tensões identitárias e nesse sentido, faz-se necessário a organização coletiva: “ Se somos segregados como povo, temos que reagir enquanto povo”. Ao contrapôr o feminismo e sua visão binária ocidental, insuficiente para abarcar perspectivas da população negra, o Mulherismo Africana afirma a importância de racializar as violências enfrentadas pelas mulheres e de incluir os homens negros na luta. Por isso, mais que antirracista, o Mulherismo se propõe a ser antigenocida.
Katiúscia Ribeiro e Ana Nzeri são importantes nomes para pensarmos sobre o mulherismo africana no Brasil, reverenciando os caminhos abertos por Cleonora Hudson e Nah Doves, precursoras do pensamento mulherista. Elas difundiram essa proposta emancipadora através de palestras, debates e formações. Abaixo você pode conferir alguns vídeos:
UMA AULA SOBRE FILOSOFIA AFRICANA E MULHERISMO | PAPO DEPRETAS
Mulherismo Africana : Katúscia Ribeiro e Aza Njeri – Programa Ciência & Letras
A partir dos ensinamentos de nossas contemporâneas, compreendemos que o mulherismo africana trata-se de uma proposta de emancipação da população negra, a partir da luta, dos ensinamentos e da sabedoria das mulheres.
E aí, você já conhecia o mulherismo? Conta pra gente aqui nos comentários 🙂
Hellen Freitas
Graduanda em Psicologia (IP/UFRJ) e Bolsista do Laboratório de Identidades Digitais e Diversidade.