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Você já ouviu falar sobre Racismo Ambiental?

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Racismo ambiental é um termo criado por volta dos anos de 1980 pelo climatologista americano Robert Bullard. Basicamente, tal conceito evidencia uma realidade inegável definida de maneira simples e objetiva como o fato das comunidades negras e marginalizadas serem desproporcionalmente afetadas pela devastação ambiental.

Caracterizado como uma forma de desigualdade socioambiental, este tipo de racismo se torna evidente no momento em que as populações não-brancas — especialmente as populações negras, indígenas e quilombolas — se tornam mais sucetíveis à sofrerem de maneira mais intensa os impactos de enchentes, queimadas, intoxicação de água e diversas outras situações frutos das alterações climáticas, que têm piorado principalmente nos últimos anos. 

Isso acontece porque as pessoas que residem nestes territórios mais afetados estão segregadas racial ou etnicamente e, consequentemente, muitas das vezes não têm acesso à infraestruturas básicas como saneamento e arborização nos ambientes em que vivem. 

Em paralelo à isso, existe uma minoria branca e rica que usufrui livremente dos recursos naturais, explorando-os e esgotando-os para atividades como o agronegócio, por exemplo. 

O resultado de todo este cenário é a manutenção da riqueza de pessoas brancas — e, neste caso, podemos dizer que riqueza também significa conforto ambiental — em detrimento do aumento das vulnerabilidades ambientais que acarretam o cotidiano das comunidades negras, indígenas e quilombolas, que passam a desenvolver mais problemas de saúde e dificuldades para o acesso à educação, além de passarem a experimentar, também, outras formas de desigualdades causadas pela negligência social, política e econômica com seus corpos e territórios.

O combate ao racismo ambiental começa quando reconhecemos que, de fato, ele existe. Uma vez que entendemos isso, é necessário cobrar que as autoridades incluam as comunidades racializadas nos debates e decisões voltadas à saúde e ao meio ambiente. Além disso, também é fundamental que haja a implementação de políticas públicas que garantam que estas populações estejam protegidas dos riscos ambientais.

No entanto, enquanto a realidade ainda parece distante do ideal, as comunidades negras, indígenas e quilombolas têm sobrevivido através da aplicação de seus próprios saberes ancestrais, que há muito tempo se mostram sustentáveis e eficazes ao menos para sanar ao menos um pouco do problema causado pela hegemonia minoritária e branca que é a responsável por grande parte dos danos ambientais em territórios marginalizados. 

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