A #liddica desta semana é o curta-metragem O Órfão (2018, 15’), de Carolina Markowicz, premiado com o “Queer Palm” no Festival de Cannes 2018. Este filme apresenta um retrato sensível sobre infância negra queer através da história de Jonathas (Kauan Alvarenga), menino órfão que foi adotado pelo casal Daniela (Georgina Castro) e Carlos (Ivo Müller). No entanto, devido ao jeito de ser considerado “feminino”, ele acaba sendo levado de volta ao orfanato onde vivia, administrado por Dona Leila (Clarisse Abujamra).
A trama foge da linearidade característica das narrativas clássicas, ao passo que primeiro conhecemos o cotidiano de Jonathas depois de retornar do lar adotivo. Mas, isso não impede o espectador de compreender e se identificar com o divertido e incisivo protagonista. Para além do belíssimo estilo cinematográfico de Markowicz, o destaque vai para a interpretação de Kauan Alvarenga em um papel com contornos e subtextos políticos sobre a subversão das normas de sexualidade, comportamento e performatividade de gênero impostas ainda no período de formação dos sujeitos dissidentes.
Sem muitos spoilers, O Órfão é um deleite aos olhos, sem abrir mão do sarcasmo nas situações mais amargas e do artifício camp que rodeiam o imaginário de Jonathas. Nesse sentido, o filme tem o compromisso ético e estético de ampliar o olhar sobre uma das fases mais importantes da vida humana.
O Órfão está disponível em português no link: <https://vimeo.com/377193784>.
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