Nos últimos anos — basicamente, a partir de 2022 —, o chamado Brazil Core transformou símbolos populares brasileiros em tendência global. Chinelos, lajes, bailes, camelôs, funk, futebol, fios elétricos e estéticas da periferia — popularmente chamadas como estéticas ou estilos “de cria” — passaram a circular como referências visuais desejáveis nas redes sociais e na moda.
Mas essa valorização levanta uma questão importante: por que determinadas expressões culturais só passam a ser vistas como criativas, autênticas ou sofisticadas quando são deslocadas de seus territórios de origem?
Grande parte dos elementos associados ao Brazil Core nasce em contextos negros e periféricos, marcados por décadas de estigmatização. Durante muito tempo, essas mesmas referências foram associadas à pobreza, à marginalidade ou à falta de prestígio social.
Quando reaparecem mediadas por influenciadores, marcas ou celebridades brancas, muitas vezes passam a receber reconhecimento, admiração e espaço nos circuitos globais de consumo.
A discussão não é sobre quem pode usar ou consumir essas referências, mas sobre quem recebe visibilidade, lucro e legitimidade ao representá-las.
Por isso, falar de Brazil Core também é refletir sobre quais imagens de brasilidade são selecionadas, amplificadas e exportadas para o mundo — e quais sujeitos continuam sendo deixados à margem dessa narrativa.
Para refletir sobre essa e outras temáticas, acompanhe o LIDD nas redes sociais!💙🇧🇷