Nascida em Belo Horizonte, Lélia Gonzalez construiu seus pensamentos olhando para as ruas, para a cultura popular e para as suas próprias vivências como uma mulher negra brasileira. Entre a filosofia, a antropologia e o ativismo político, Lélia colocou as mulheres negras no centro da discussão, debatendo raça e gênero.
Raça, classe e gênero andam juntos
Antes de o termo “interseccionalidade” ganhar força no ambiente acadêmico, Lélia já explicava na prática como essas camadas funcionam. Para ela, não dava para discutir desigualdade no Brasil sem olhar ao mesmo tempo para três fatores: ser mulher, ser negra e pertencer às classes populares.
Ao conectar esses pontos, ela mostrou que as contradições do país afetam os corpos de maneiras completamente diferentes e que qualquer projeto de transformação social precisa levar isso em conta.
A teoria e a prática
Lélia lecionou na PUC-Rio, mas para ela era necessário ir além das salas de aula. Por isso, foi uma das fundadoras do Movimento Negro Unificado (MNU) e do Coletivo de Mulheres Negras Nzinga, levando essa pauta para debates e conferências internacionais.
Sua atuação abriu caminhos para que hoje mais pessoas negras e periféricas ocupem as universidades não apenas como estudantes, mas como produtoras do seu próprio conhecimento e de suas próprias narrativas.
Pretuguês e Amefricanidade: a nossa identidade
Duas das contribuições teóricas marcantes de Lélia foram sobre à nossa cultura e à forma como falamos:
- Pretuguês: Ela apontou que a língua portuguesa falada no Brasil é carregada de influência africana. A entonação, o ritmo e as adaptações da nossa fala não são “erros”, mas sim a presença negra moldando a cultura nacional.
- Amefricanidade: Um conceito criado para resgatar a identidade cultural formada pela união da ancestralidade negra e indígena nas Américas, questionando a visão de que tudo o que pensamos precisa vir da Europa.
Um legado que continua vivo
Ler Lélia Gonzalez é uma necessidade para quem quer pensar o presente. Seus textos e ideias continuam atuais porque ajudam nos desafios que ainda enfrentamos como sociedade. Lélia nos ensinou que a nossa história precisa ser contada em primeira pessoa. E o seu legado segue abrindo portas para que novas vozes continuem ocupando o topo.
Referências e Fontes Consultadas
- RIOS, Flavia. Lélia Gonzalez (1935–1994). Enciclopédia Mulheres na Filosofia, Unicamp. Disponível em:
[https://www.blogs.unicamp.br/mulheresnafilosofia/lelia-gonzalez/](https://www.blogs.unicamp.br/mulheresnafilosofia/lelia-gonzalez/). - EUGÊNIO JR., Amauri. O legado intelectual e político de Lélia Gonzalez para o Brasil. Portal Ancestralidades, 2024. Disponível em:
[https://www.ancestralidades.org.br/noticias/O-legado-intelectual-e-politico-de-Lelia-Gonzalez-para-o-Brasil](https://www.ancestralidades.org.br/noticias/O-legado-intelectual-e-politico-de-Lelia-Gonzalez-para-o-Brasil). - VATICAN NEWS. Lélia Gonzalez: um notável legado por um mundo mais justo. Reportagem temática sobre o legado sociopolítico da pensadora. Disponível em:
[https://www.vaticannews.va/pt/africa/news/2026-08/lelia-gonzalez-um-notavel-legado-por-um-mundo-mais-justo.html](https://www.vaticannews.va/pt/africa/news/2026-08/lelia-gonzalez-um-notavel-legado-por-um-mundo-mais-justo.html)