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A música que canta a história: Uma análise de “Canto das Três Raças” – Mariana Oliveira

A música que canta a história Uma análise de “Canto das Três Raças” - Mariana Oliveira (2)

Lançada em 1976, em pleno período da ditadura militar no Brasil, a música “Canto das Três Raças”, interpretada por Clara Nunes foi escrita por Paulo César Pinheiro como uma canção que narra as lutas, a resistência e as dores do povo brasileiro desde a invasão colonial até os dias atuais.

A letra conta como o nosso país foi construido sobre o lamento dos povos indígenas, a dor da escravidão e a exploração do trabalho das classes populares. Apesar da música ser poética, ela não romantiza a história e sim escancara que o conceito de “paz” no Brasil foi, na verdade, erguido a partir de violência, opressão e exploração.

Análise dos Versos

Ao longo dos versos dessa obra-prima da MPB, podemos identificar com clareza as camadas do processo de formação nacional:

  • A Desconstrução da “Democracia Racial”

    Ninguém ouviu, um soluçar de dor, no canto do Brasil…”

    Nos trechos iniciais, a letra desconstrói o mito da “democracia racial”. Deixando claro que a união de diferentes povos não se deu pela harmonia, mas pela dor compartilhada da exploração.
  • O Silenciamento da Matriz Indígena

    “Um lamento triste, sempre ecoou, desde que o índio guerreiro, foi pro cativeiro e de lá cantou…”

A violência contra indígenas marcou a primeira ferida do Brasil, a música narra que a dor não foi um evento isolado, mas uma constante na história brasileira. A imagem do “índio guerreiro” na canção resgata a memória das revoltas que combateram a dominação colonial.

  •  O aquilombamento 

“Negro entou, um canto de revolta pelos ares, do Quilombo dos Palmares, onde se refugiou…”

O “canto” se transforma em luta, deixa de ser apenas a elaboração da dor e passa a ser o som de resistência. O canto “pelos ares” comunica a ideia de liberdade e luta. 

  • O Ciclo Histórico de Violência 

“E de guerra em paz, de paz em guerra, todo o povo dessa terra, quando pode cantar, canta de dor…” 

A canção diz que “A paz no Brasil é ilusória: quando o povo canta, ele registra o trauma de uma guerra contínua. A história brasileira é mantida pela repressão e pelo apagamento dos conflitos sociais. 

  • A agonia que ecoa 

“E ecoa noite e dia, é ensurdecedor, ai, mas que agonia, o canto do trabalhador” 

Do cativeiro citado no início da música, às periferias dos tempos atuais: A agonia do trabalhador é o eco ensurdecedor de uma história de exploração que ainda não acabou. 

Por fim, vemos que o“Canto das Três Raças” é uma obra-prima da MPB extremamente atual e necessária para entendermos a verdadeira trajetória da nossa sociedade e manter viva a memória das nossas lutas.

E você, conhece outras canções da MPB que ajudam a retratar e a recontar a história do Brasil? Compartilhe suas indicações nos comentários!

Fontes:

Estadão:
OS 80 anos Clara Nunes serão comemorados sem festa. Estadão, 12 ago. 2022. Disponível em: https://www.estadao.com.br/cultura/musica/os-80-anos-clara-nunes-serao-comemorados-sem-festa/. Acesso em: 15 set. 2026.

Letras.mus.br:
PINHEIRO, Paulo César; DUARTE, Mauro. Canto Das Três Raças. Interpretação: Clara Nunes. Letras.mus.br. Disponível em: https://www.letras.mus.br/clara-nunes/83169/. Acesso em: 15 set. 2026.

Esquerda Diário:
60% dos moradores das periferias não possui renda para atravessar quarentena. Esquerda Diário, 2020. Imagem. Disponível em: https://www.esquerdadiario.com.br/60-dos-moradores-das-periferias-nao-possui-renda-para-atravessar-quarentena. Acesso em: 15 set. 2026.

Instagram (Reel):
[NOME DO PERFIL DO INSTAGRAM]. [Título ou descrição do Reel]. Instagram, [data de publicação]. Reel. Disponível em: https://www.instagram.com/reel/DXXcENKCCkN/. Acesso em: 15 set. 2026.
(Nota: substitua o nome do perfil, descrição e data conforme constam na publicação original do Instagram).

MST:
RAQUEL, Martha. Realidade indígena no Brasil: “Temos medo. A gente desconfia de todos ao nosso redor”. Fotos: Edgar Kanaykõ; Divulgação. Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), 19 abr. 2022. Imagens. Disponível em: https://mst.org.br/2022/04/19/realidade-indigena-no-brasil-temos-medo-a-gente-desconfia-de-todos-ao-nosso-redor/. Acesso em: 15 set. 2026.

Toda Matéria:
BEZERRA, Juliana. Quilombo dos Palmares. Toda Matéria, [s.d.]. Imagem. Disponível em: https://www.todamateria.com.br/quilombo-dos-palmares/. Acesso em: 15 set. 2026.

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