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BEMBÉ: A tradição que dominou o carnaval desse ano – Millena Salles

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“Deixa girar que a rua virou Bembé

Deixa girar que a rua virou Bembé

O meu egbé faz valer o seu lugar

Laroyê, Beija-Flor, Alafiá”

Se você é alguém super antenado às redes sociais, certamente ouviu esse refrão durante o carnaval deste ano. O samba-enredo da Beija-Flor de Nilópolis para o Carnaval 2026, intitulado “Bembé”, ultrapassou a marca de 1 milhão de reproduções no Spotify ainda em janeiro de 2026 (quase um mês antes dos desfile na Apoteose), consolidando-se como o mais ouvido entre as escolas do Grupo Especial. 

A faixa permanece liderando a audiência no streaming e nas paradas virais, destacando-se pela força da ancestralidade afro-brasileira com mais de 3 milhões de reproduções até a data deste texto. 

Agora, uma curiosidade? 

É um feito inédito! 

Trata-se da primeira vez que a nova geração assume um lugar tão importante no corpo da escola. “Bembé” é interpretado por Ninno e Jéssica Martins (a primeira intérprete mulher da Beija-Flor), dois jovens cantores que substituíram o célebre intérprete Neguinho da Beija-Flor, que esteve à frente da escola nos últimos 50 anos, até anunciar a sua aposentadoria após o carnaval de 2025.

Mas, a pergunta que não quer calar é: afinal, o que ou quem é esse tal de Bembé que eles cantam na música? 

Vem com a gente que o LIDD te conta!

Bom, pra início de conversa, as escolas de samba do Rio de Janeiro são umas das maiores expressões de resistência da cultura afro-brasileira. Na maioria dos desfiles, elementos do candomblé e da história negra são traduzidos em narrativas de fé, território e exaltação cultural.

No carnaval desse ano, a caçula das agremiações  especiais decidiu contar a história do Bembé do Mercado, que é o maior candomblé de rua do mundo e que acontece todo 13 de maio em Santo Amaro (BA), no Recôncavo Baiano.

Desde 2019, o Bembé é patrimônio cultural e imaterial do Brasil. Mas essa história tem início muitos anos antes, quando em 1889, no primeiro aniversário da Abolição da Escravidão no país, João de Obá, um sacerdote e estrategista, compreendeu que era preciso ocupar o espaço público e afirmar que a espiritualidade do povo negro, mesmo antes proibida, ainda estava viva.

Mesmo diante das dificuldades impostas à população negra recém liberta, essa comunidade ocupou o mercado municipal com atabaques, flores, comidas e cantos em agradecimento aos orixás. A celebração nasceu, então, como um ato político de liberdade coletiva. E, desde então, acontece de forma ininterrupta, tornando-se uma das tradições populares mais importantes para a negritude.

A palavra “Bembé” tem origem africana e significa “festa dos tambores” ou “ ritual em louvor aos orixás”. Mas, seu significado vai muito além de uma simples celebração: é a tecnologia ancestral que mantém o movimento da liberdade construída no coletivo; a memória viva e a resistência permanente de povos que construíram e constroem a cultura e a história do Brasil.

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