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E eu, não sou uma mulher? O cruzamento entre raça e gênero através do olhar de Sojourner Truth.

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Quando o olhar se volta ao passado, é possível citar diversos discursos potentes e únicos que marcaram a sociedade como um todo. O discurso feito por Sojourner Truth na Convenção dos Direitos das Mulheres em Ohio, nos Estados Unidos, em 1851, foi um marco no estudo sobre o cruzamento de raça e gênero.

Quem foi Sojourner Truth?

Truth nasceu em Nova York, em 1797, e foi batizada com o nome Isabella Baumfree (posteriormente, decidiu adotar o nome Sojourner Truth, que significa “peregrina da verdade”). Durante 29 anos, viveu escravizada; sua vida foi marcada por uma violência cruel e abusos psicológicos e físicos. Em 1826, após seu senhor (John Dumont) quebrar o acordo de liberá-la antecipadamente, Sojourner fugiu em busca de sua liberdade e foi acolhida por uma família abolicionista, os Van Wagener. Em 1827, conseguiu sua liberdade oficialmente.

Com todos esses atravessamentos, ela se tornou pregadora pentecostal e se envolveu na luta pelos direitos das mulheres e no movimento antiescravista, tornando-se uma verdadeira referência na história.

O discurso “E eu não sou uma mulher?” e o cruzamento entre raça e gênero

O discurso de Sojourner Truth na Convenção dos Direitos das Mulheres se tornou um dos mais importantes da história. Mesmo tendo sido proferido há mais de 150 anos, ainda traz diversas reflexões sobre a interseccionalidade.

A fragilidade feminina

Nesse mesmo evento, os homens presentes afirmavam que as mulheres eram frágeis e precisavam de ajuda para atravessar poças de lama e entrar em carruagens. Truth rebateu expondo a realidade das mulheres negras:

“Ninguém nunca me ajudou a entrar em carruagens ou a passar por cima de poças de lama… Olhem para mim! Olhem para o meu braço! Eu arei a terra, plantei e colhi tudo, e nenhum homem pôde me liderar! E eu não sou uma mulher?”

O duplo fardo da opressão

Os privilégios concedidos às mulheres brancas da época nunca alcançaram as mulheres negras escravizadas, que enfrentaram a violência do trabalho forçado lado a lado com os homens:

“Eu trabalhava e comia tanto quanto qualquer homem e ainda aguentava o chicote da mesma forma! E eu não sou uma mulher?”

A desumanização materna

Enquanto a maternidade branca era vista como sagrada, os filhos das mães negras eram vendidos ao comércio humano para servir de ferramentas no sistema escravagista:

“Dei a luz a treze crianças e vi a maioria ser vendida como escravo; e, quando gritei a minha dor de mãe, ninguém, a não ser Jesus, me ouviu! E eu não sou uma mulher?”

O poder feminino

“Se a primeira mulher que Deus fez foi forte o suficiente para virar o mundo de ponta-cabeça sozinha, essas mulheres juntas serão capazes de colocá-lo no lugar certo novamente!”

O legado de Sojourner mostra que, antes de se discutir gênero, é necessário analisar a ótica da raça.

E para você, como a voz de Sojourner Truth ecoa nas suas lutas hoje? Deixe nos comentários!

Principais fontes: NATIONAL PARK SERVICE. Sojourner Truth: Ain’t I A Woman? U.S. Department of the Interior, 17 nov. 2017. Disponível em: https://www.nps.gov/articles/sojourner-truth.htm. Acesso em: 25 ago. 2026.

GELEDÉS – INSTITUTO DA MULHER NEGRA. E não sou uma mulher? – Sojourner Truth. Geledés, 20 mar. 2015. Disponível em: https://www.geledes.org.br/e-nao-sou-uma-mulher-sojourner-truth/. Acesso em: 25 ago. 2026.

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