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LIDD CONVIDA – II EDIÇÃO: KATIÚSCIA RIBEIRO

É com muito prazer que apresentamos a II edição do LIDD Convida, que acontece online no dia 29.04, às 18h: Katiúscia Ribeiro, doutora em Filosofia pela UFRJ, apresentadora do programa O Futuro é Ancestral no canal GNT e professora da PUC/SP. Suas pesquisas envolvem Filosofia em Kemet, Filosofia Africana antiga, saberes e epistemologias ancestrais.

Nesta edição, temos o apoio incrível dos grupos CORAGEM, grupo de pesquisa em Comunicação, Raça e Gênero, da UFMG; LIMBO – Laboratório de Imagem e Estéticas Comunicacionais, da UFCA; OLHOS NEGROS – Visibilidades e alteridades na fotografia negra contemporânea brasileira, da UFRN; e o NEGRECS – Núcleo de Estudos de Gênero e Relações Étnico-raciais na Educação Audiovisual em Ciências e Saúde, da UFRJ.

Estão abertas vagas limitadas para público externo! Para receber o link do evento, inscreva-se gratuitamente através do link: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfLtA2FF6c5csCDh4qfFzSd7cg5eSkJS1GXUpUAF_tLGJiaMg/viewform

O link da sala será enviado um dia antes para os inscritos. Participe!

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Grupo de Estudos – 04/02

Ontem (01) foi dia de grupos de estudos no LIDD. Tivemos a oportunidade de ler um capítulo, em andamento, da dissertação de mestrado em Comunicação da Giselle Mendes, integrante do grupo. Com o título “Negro tema e Negro vida: A mulher preta nas telenovelas brasileiras”, o trabalho de Giselle investiga a representação de mulheres pretas nas telenovelas brasileiras, transmitidas em rede nacional nos últimos 25 anos, através da trajetória da atriz Taís Araújo.

Entendendo que as novelas reproduzem dinâmicas do cotidiano, Giselle conta que as telenovelas sempre foram para ela um canal de debate com sua família, onde era possível conversar sobre questões raciais de forma simples. Para a análise da pesquisa, ela faz um recorte temporal e avalia a participação da atriz em algumas novelas das décadas de 1990 e do início dos anos 2000: “Xica da Silva” (1996), “Da cor do Pecado” (2004), “Cobras e Lagartos” (2006), “Viver à Vida” (2009) e “Amor de Mãe” (2018). Entre os seus referenciais teóricos, estão Frantz Fanon e Lélia Gonzalez.

A partir dos estudos de Fanon, Giselle ressalta que mesmo a Taís Araújo sendo a Preta de “Da cor do Pecado” (convenhamos que esse título já é bastante problemático, não?) e a Helena de Manoel Carlos em “Viver à vida”, a atriz ainda continua sendo discriminada. A trajetória de Taís na teledramaturgia nos mostra como o mito da democracia racial é um projeto falido, ainda que ela seja protagonista e esteja em lugar de destaque. Antes de atriz, Taís é uma mulher negra, seu primeiro figurino é a sua pele.

Durante o nosso encontro algumas perguntas acompanharam o debate: Por que Taís Araújo é sempre a mulher negra escolhida para papéis de destaque? Por que, na maioria dos casos, ela é a única atriz negra em programas da Rede Globo? Por que sempre cobram posicionamento da atriz?

Terminamos a reunião ansiosas para ler mais do trabalho de Giselle, que com certeza será uma excelente contribuição para o seu campo.

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Chamada de publicação para o dossiê Deslocamentos epistêmicos em Comunicação: saberes em (des)construção para a Revista Eco-Pós (Qualis A3)

Está aberta a chamada de trabalhos para o dossiê Deslocamentos epistêmicos em Comunicação: saberes em (des)construção para a Revista Eco-Pós (Qualis A3).

O dossiê reunirá trabalhos que discutem deslocamentos epistêmicos advindos também de deslocamentos espaciais e políticos na Comunicação. Busca-se trazer visibilidade ao pensamento periférico, negro, indígena e LGBTQIAP+ para a construção de outros saberes e novos pressupostos, sobretudo a partir de perspectivas críticas e do tensionamento dos modos legitimados de produção de conhecimento. O dossiê, então, tem o objetivo de apresentar grupo de estudos e pesquisadores que propõem o debate aprofundado sobre diversidade de metodologias, conceitos e premissas epistemológicas, apresentando, assim, outros caminhos para a produção científica no campo comunicacional e oferecendo, sobretudo, desvios e transgressões necessárias para o alcance de resultados diferenciados e contracoloniais. Ao conhecer a produção de conhecimento a partir de outra ordem, discutiremos as possibilidades de transformação das cosmopercepções em torno do saber científico.

Prazo de submissão: até 15 de julho de 2024
Estimativa de publicação: v. 27, n. 3, dezembro de 2024
Editoras: Fernanda Carrera (ECO/UFRJ), Ana Lúcia Nunes (NUTES/UFRJ) e Elane Abreu (IISCA/UFCA)
Mais informações: https://revistaecopos.eco.ufrj.br/eco_pos/announcement/view/334

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Curso “Racismo, Branquitude e afrofabulações”

Nos dias 16, 23 e 30 de novembro houve o curso “Racismo, branquitude e afrofabulações”. Nesta edição, contamos com a participação das professoras Ana Carla Ferreira, Alice Andrade e Renata Nascimento. O curso foi ofertado pelo LIDD, em parceria com o Programa de Pós-graduação em Comunicação e Cultura da UFRJ e o Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFF. Nesse curso foram ministradas três aulas sobre temas relacionados à racialidade, como: filosofias africanas; a relação entre racismo e meritocracia; e a importância do aquilombamento na construção do antirracismo.

A aula sobre racismo brasileiro e meritocracia foi ministrada pela professora Renata Nascimento. A professora apresentou a trajetória da população negra no período entre a abolição da escravização e a reforma urbana apontando para a ausência de garantia de direitos que resultou na marginalização da população e inúmeros estigmas ligados ao corpo negro. A partir disso, ela apontou que a meritocracia se trata de um instrumento das relações raciais cuja função é disciplinar os sujeitos a um determinado padrão. Padrão que protege o privilégio branco, entendido por Cida Bento como uma estrutura de facilidades que os brancos possuem. Assim, Renata fez um paralelo entre Meritocracia, valores e racismo.

Na aula “Aquilombamento para pensar a comunicação antirracista” a professora Alice Andrade fez uma introdução ao conceito de aquilombamento a partir da definição de quilombo de Edison Carneiro, que retrata esse espaço como um acontecimento singular na vida nacional que aponta a reafirmação dos valores da cultura africana. Assim, Alice mostra que o aquilombamento é capaz de produzir vida, movimento e acolhimento, e se revela também como uma forma de comunicação. Nesse sentido, o quilombo nos direciona para uma ideia de comunicação antirracista, seguindo princípios de partilha, solidariedade e unidade.

Na aula sobre Filosofia Africana, a professora Ana Carla apresentou o tema para entendermos o motivo de conhecer, estudar e a relação com a Lei 10.639/2003. Traçou paralelos com as semelhanças ao se pensar nos povos originários a partir do apagamento e silenciamento de memórias. Ressaltou também as peculiaridades brasileiras e nosso distanciamento em saber da história dos povos que construíram nosso país. Longe de um viés comparativo com as filosofias do Ocidente, Ana Carla apontou as pluralidades das Filosofias e mostrou que as Africanas não têm pretensão de dar conta do universal, elas possuem outro referencial, uma vez que partem da vivência e da oralidade.

Foi uma feliz confluência o encontro dos três minicursos dados, um diálogo entre ambos. Ao se pensar em Filosofias Africanas no Brasil, é possível compreender algumas mecanismos do racismo e da meritocracia e assim, pensar nas perspectivas do aquilombamento para se fazer uma comunicação antirracista.

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LEITURAS DO LIDD

O encontro do dia 15 de Setembro foi sobre o livro Pensar Nagô de Muniz Sodré. A Pâmela Guimarães iniciou o debate com a apresentação do capítulo “Exu inventa o seu tempo” e trouxe contribuições sobre o texto apontando alguns caminhos que Sodré percorreu na sua escrita. A partir do provérbio iorubá “Exu matou um pássaro ontem com uma pedra que atirou hoje” o autor indica novas leituras possíveis sobre temporalidade que vão além da lógica ocidental. 

Tal representação pode ser lida a partir de perspectivas éticas, enunciado regras morais, formação discursiva mítica, codificando regras de moralidade que sustentam sistemas de crenças e política, pensando dever com a comunidade e os valores de tal dever ético. Essas são leituras possíveis e ocidentais, Sodré não encerra sua apresentação aí, ele continua e vai além, a partir de uma lógica contrária, sem linearidade. A linearidade determinada no pensamento ocidental no que diz respeito ao tempo exclui a agência de si e de uma nova história possível. 

Sodré traz o aforismo como um índice capaz de direcionar o percurso para responder “O que é Exu” o apontando como princípio sagrado: Uma força dinâmica, constituidora de subjetividades, a partir de uma completa mútua constituição em contato com as multiplicidades do encontro com o outro e com o mundo. Por fim, Sodré indica que Exu é também constituidor de vínculos. A partir destes princípios, Exu abre caminhos, alargando a multiplicidade de rotas porque o que impulsiona a diversidade é a ação. 

No próximo encontro de leitura semanal promovido pelo LIDD (21/09) o texto discutido foi “Minha mãe pintou meu pai de branco: afetos e negação da raça em famílias interraciais”, de Lia Vainer Schucman, Belinda Mandelbaum e Felipe Luis Fachim. Conduzido por Sandra Martins, o encontro explorou questões cruciais, incluindo a afetividade na população negra e a complexidade da identidade racial. Este estudo aprofunda-se nas complexidades das famílias interraciais no Brasil, levando em consideração não apenas sua diversidade, mas também as tensões internas que surgem em relação à identidade negra.

Neste contexto, torna-se evidente que a definição de uma família como interracial é longe de ser objetiva; ela muda de acordo com quem a observa, criando uma narrativa subjetiva e multifacetada. A ausência masculina em muitas dessas famílias cria estruturas matriarcais, onde as vozes femininas assumem papéis centrais, e a negação da raça torna-se, também, parte dessas dinâmicas.

A negação da raça, muitas vezes camuflada pelo afeto, é uma parte significativa desse cenário. Mães que se envolvem emocionalmente com pessoas negras, mas que “não veem a cor” em seus parceiros ou filhos, criando uma ilusão de igualdade que, na realidade, mascara o racismo subjacente. Tanto brancos quanto negros dentro dessas famílias empregam mecanismos de negação para silenciar a raça, acreditando erroneamente que esse silenciamento é uma forma de evitar o rótulo de racista.

O encontro destacou a necessidade urgente de mais diálogo sobre as relações interraciais no Brasil. Além disso, evidenciou a urgência de enfrentar as raízes profundas do racismo, não apenas nas estruturas sociais, mas também nos lares e famílias brasileiras. A negação da negritude em famílias interraciais não apenas perpetua estereótipos, mas também sublinha a complexidade e a urgência de uma mudança profunda em nossa sociedade para verdadeiramente superar o racismo.

Bárbara Valentine e Hellen Freitas 

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Portela e Um Defeito de Cor

No ano de 2024, a Portela leva para a Marquês de Sapucaí “Um Defeito de Cor”. O livro é escrito por Ana Maria Gonçalves, mineira e publicitária de formação, que depois de uma intensa rotina morando em São Paulo e atuando em sua área, decidiu passar um tempo na Bahia, onde se entendeu como ficcionista. 

O romance retrata Kehinde e sua trajetória desde seu nascimento em Benin, atual Daomé, passando pelo momento onde foi escravizada e seu retorno à África como mulher livre, mas sem seu filho.

A imagem de mãe é uma imagem forte em solo brasileiro, sendo pensada desde o conceito de Virgem Maria ao sincretismo com as orixás Oxum, Iemanja, Nãnã e sua relação com a origem e o nascimento, com a Portela não é diferente.

A GRES Portela em 2023 completou 100 anos, se tornando a primeira agremiação centenária. Ela, que é tida entre as demais escolas como Majestade do Samba, a mãe de todas, vem sendo lida também como a Iyalorixá do Samba, termo no candomblé para Mãe de Santo ou Zeladora de Santo, aquela que cuida.

Ser colocado nesse lugar de maternidade para a Portela, e não de pioneirismo como as  demais agremiações como a GRES Mocidade Independente de Padre Miguel em suas contribuições, mostra uma relação de carinho e afeto que a águia entrega, desde o nome de sua escola mirim “Filhos da Águia”, até seu entendimento como a centenária, a madrinha, mãe de todas.

Ao longo da história do samba, enxergamos essas relações de outras agremiações para a Portela, que acerta ao se entender nesse espaço de matriarca. Em alguns dos sambas que estão se propondo a representar a história que a agremiação pretende levar à avenida em 2024, temos algumas citações fortes que traduzem essa relação.

Na parceria do compositor Samir Trindade, é feito uma escolha simbólica para representar a qualidade da escola como mãe:

“Seu colo africano é meu lar 

Orgulho meu, ser filho da Águia”

É implícita a relação da Portela com a ancestralidade, e o ato de originar. Na parceria de Rafael Gigante e Wanderley Monteiro, temos uma noção de resgate a esse sentido enquanto firma um paralelo com o romance de Ana Maria Gonçalves através de linhas como:

“Salve a lua de Bennin 

Viva o povo de Benguela 

Essa luz que brilha em mim 

E habita a Portela 

Tal a história de Mahin 

Liberdade se rebela 

Nasci quilombo e cresci favela!”

Por fim, é possível ver na Portela a figura materna do carnaval, esse afeto de mãe, vó, tia, esse saber de mulher preta que cria e gera, que movimenta e se fortalece sem romantizar sua história, mas entendendo seu passado como um lugar de força e verdade, como no samba de seu centenário: “Vencemos mesmo marginalizados!”.

Volto a citar a parceria de Rafael Gigante e penso em todos aqueles que vieram antes de mim, aqueles que com força e bravura lutaram por um Brasil preto, aqueles que mantiveram viva uma cultura por anos de opressão para que hoje possamos estar presentes, mesmo que ainda tenha muito caminho a se percorrer.

Saravá Keindhe! Teu nome vive! Teu povo é livre! Teu filho venceu, mulher!

Referências: 

http://www.letras.ufmg.br/literafro/autoras/443-ana-maria-goncalves