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Curso “Racismo, Branquitude e afrofabulações”

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Nos dias 16, 23 e 30 de novembro houve o curso “Racismo, branquitude e afrofabulações”. Nesta edição, contamos com a participação das professoras Ana Carla Ferreira, Alice Andrade e Renata Nascimento. O curso foi ofertado pelo LIDD, em parceria com o Programa de Pós-graduação em Comunicação e Cultura da UFRJ e o Programa de Pós-graduação em Comunicação da UFF. Nesse curso foram ministradas três aulas sobre temas relacionados à racialidade, como: filosofias africanas; a relação entre racismo e meritocracia; e a importância do aquilombamento na construção do antirracismo.

A aula sobre racismo brasileiro e meritocracia foi ministrada pela professora Renata Nascimento. A professora apresentou a trajetória da população negra no período entre a abolição da escravização e a reforma urbana apontando para a ausência de garantia de direitos que resultou na marginalização da população e inúmeros estigmas ligados ao corpo negro. A partir disso, ela apontou que a meritocracia se trata de um instrumento das relações raciais cuja função é disciplinar os sujeitos a um determinado padrão. Padrão que protege o privilégio branco, entendido por Cida Bento como uma estrutura de facilidades que os brancos possuem. Assim, Renata fez um paralelo entre Meritocracia, valores e racismo.

Na aula “Aquilombamento para pensar a comunicação antirracista” a professora Alice Andrade fez uma introdução ao conceito de aquilombamento a partir da definição de quilombo de Edison Carneiro, que retrata esse espaço como um acontecimento singular na vida nacional que aponta a reafirmação dos valores da cultura africana. Assim, Alice mostra que o aquilombamento é capaz de produzir vida, movimento e acolhimento, e se revela também como uma forma de comunicação. Nesse sentido, o quilombo nos direciona para uma ideia de comunicação antirracista, seguindo princípios de partilha, solidariedade e unidade.

Na aula sobre Filosofia Africana, a professora Ana Carla apresentou o tema para entendermos o motivo de conhecer, estudar e a relação com a Lei 10.639/2003. Traçou paralelos com as semelhanças ao se pensar nos povos originários a partir do apagamento e silenciamento de memórias. Ressaltou também as peculiaridades brasileiras e nosso distanciamento em saber da história dos povos que construíram nosso país. Longe de um viés comparativo com as filosofias do Ocidente, Ana Carla apontou as pluralidades das Filosofias e mostrou que as Africanas não têm pretensão de dar conta do universal, elas possuem outro referencial, uma vez que partem da vivência e da oralidade.

Foi uma feliz confluência o encontro dos três minicursos dados, um diálogo entre ambos. Ao se pensar em Filosofias Africanas no Brasil, é possível compreender algumas mecanismos do racismo e da meritocracia e assim, pensar nas perspectivas do aquilombamento para se fazer uma comunicação antirracista.

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