Ainda prestigiando a participação das nossas bolsistas de iniciação científica na XLV JICTAC (Jornada Giulio Massarani de Iniciação Científica, Tecnológica, Artística e Cultural), hoje falaremos sobre o trabalho de Millena Salles — que foi apresentado na última terça-feira (09) no Fórum de Ciência e Cultural da UFRJ.
Millena é estudante de Publicidade & Propaganda e integra o time de bolsistas do nosso laboratório desde o final de 2023, onde tem como principal foco de estudo a comunicação aplicada às culturas urbanas e as relações sociais que a atravessam. Sua pesquisa, intitulada “Racismo como performance de fãs: análise sobre os obstáculos da mulher negra na indústria musical” busca compreender a densidade do racismo estrutural na sociedade brasileira através de práticas racistas provenientes de fãs nas redes sociais e seu impacto nas carreiras profissionais de artistas negras, revelando também questões subjacentes ao tema, como o pacto da branquitude e a manutenção da hegemonia branca na mídia.
A partir da obra de Sueli Carneiro (2023) e de Adilson Moreira (2019), Millena investiga criticamente os desdobramentos de uma desavença surgida entre as cantoras Anitta e Ludmilla em 2019 — desentendimento este que se estendeu aos admiradores de ambas e gerou todo o material analisado pela nossa bolsista: os ataques racistas dos fãs de Anitta à Ludmilla na internet.
Aprofundando o tema ao tratar sobre a interseccionalidade entre raça e gênero e apontar controvérsias no movimento feminista, Millena salienta as contradições dos próprios fãs de Anitta ao defenderem a sororidade e o empoderamento entre as mulheres ao mesmo tempo que rivalizam as duas cantoras e praticam discriminação racial com Ludmilla. A análise da graduanda se fundamenta em revelar os padrões da branquitude implicitamente presentes nos discursos dos chamados “Anitters” (fãs da cantora Anitta) e em evidenciar que tal atividade impulsiona a opressão sofrida por sujeitas interseccionais, exemplificadas pela cantora Ludmilla.

Assim, compreendendo a relevância de escancarar as dimensões de desigualdade e invisibilidade que as mulheres negras sofrem na indústria musical e além, a pesquisa se mostra significativa para o campo da Comunicação ao contribuir para o entendimento de que a mídia — como aparato que intermedia as relações sociais — precisa se responsabilizar e colaborar para o enfraquecimento de discursos racistas no ciberespaço, promovendo uma fiscalização mais eficaz das autoridades no mundo virtual e contribuindo para a construção de um ambiente político, cultural e social mais respeitoso para todos.
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Vale a pena destacar que as pesquisas estão na fase final de desenvolvimento e serão publicadas em breve. Fique de olho em nossas próximas postagens! 👀💜