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LIDDICA – Artistas Negros Que Revolucionaram a Música no Brasil

A LIDDICA de hoje traz uma provocação importante: Você já parou para pensar na contribuição dos homens negros para a música brasileira?

Não? Então para tudo e chega mais!

Muitos artistas negros revolucionaram a música brasileira com talento, inovação e ancestralidade viva. Seus feitos, moldados pela negritude, permanecem atravessando gerações, construindo novas identidades e ecoando Brasil afora. 

Mas é preciso protagonismo!

Por isso, reconhecer esses artistas (e tantos outros) vai muito além de exaltar ícones culturais. É compreender que a história da música no Brasil foi — e continua sendo — profundamente concebida por pessoas negras e suas potências criativas. Cada acorde é, portanto, arte e, também, um ato de resistência, memória e construção coletiva.

E é claro que o LIDD separaria alguns desses gigantes. Confira:

  • Pixinguinha (1897–1973):  Um dos pais do choro moderno, foi compositor, instrumentista e maestro. Incorporou elementos do jazz e da música clássica à música brasileira, revolucionando sua sonoridade com talento no saxofone e na flauta.

  • Cartola (1908–1980): Um dos fundadores da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira, é considerado um dos maiores sambistas do Brasil. Suas composições líricas e emocionantes retratam com sensibilidade a vida no morro e o amor.

  • Milton Nascimento: Dono da inconfundível “voz de anjo”, é um dos maiores representantes da MPB e também participou do Clube da Esquina, movimento que transformou a sonoridade da música brasileira com lirismo e sofisticação.

  • Gilberto Gil: Cantor, compositor e multi-instrumentista, foi um dos principais nomes do Tropicalismo, unindo MPB a influências do rock, reggae e axé. Reconhecido mundialmente, também atuou politicamente como Ministro da Cultura do Brasil no fim dos anos 2000.

  • Jorge Ben Jor: Criador de um estilo único que mistura samba, funk, rock e soul, é referência por suas letras criativas e pela sonoridade contagiante. Sua música embala gerações e se conecta diretamente com a energia de uma das maiores festividades brasileiras: o Carnaval.

  • Djavan:  Reconhecido pela habilidade de misturar ritmos como jazz, soul e samba, construiu uma carreira marcada por harmonias sofisticadas e letras poéticas, atravessando gerações e fronteiras ao longo de quase 60 anos de carreira.

Tem algum desses artistas na sua playlist?

Conta pra gente nos comentários e fique de olho nas próximas postagens do LIDD! 

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Grupo de estudos: “Não Vão Nos Matar Agora”, Jota Mombaça (2ª parte)

Ontem (11/09), nosso grupo prosseguiu com a leitura da segunda parte de Não vão nos matar agora (p.49-84), escrito pela multiartista Jota Mombaça. 

Apresentados por Ana Carla, os capítulos retomam a interpretação da autora sobre sistema social, vivências não-normativas, consciência de um mundo opressor e de si mesma.

Ao longo de um rico manifesto em forma de ensaio poético, Jota nos provoca a pensar nas expectativas da performance da identidade (racial, sexual, de gênero) quando inserida num projeto político colonial capitalista cognitivo/extrativista; por sua vez, empenhado em patologizar, desumanizar e violentar subjetividades marginalizadas. 

A metade do livro nos traz profundas análises sobre existência e plena aceitação da monstruosidade, em meio ao regime atual da “economia da ansiedade”, termo usado pela autora ao falar das antecipações sociais (sempre sob uma ótica de ameaça iminente) para com os corpos dissidentes. A alternativa, a fim de fugir desse mundo, então, é a construção de “barricadas”, possibilitando a ampliação das estratégias de sobrevivência.

Terminada a apresentação, o grupo se aprofundou no tema da ansiedade, sobretudo para pessoas negras. A insistência do olhar acusatório do Outro, a atualização de imaginários, as vivências passadas, que tornamos nossas heranças, são as chaves para pensar essa antecipação — e desespero  —  do pior. Só pelo risco de eventualmente sofrer agressão (física ou simbólica), o sujeito dissidente passa a condicionar a própria performance.

Entre falas auto-reflexivas perpassadas por afetos, foram citados trabalhos de artistas inclinados a valorizar as “barricadas” e o cuidado de si, distantes do ritmo ansioso das mentes contemporâneas. 

Nalui fez uma aproximação entre o referido conceito com a felicidade guerreira na letra de “Zumbi”, de Gilberto Gil. Emilly compartilhou um vídeo de Eliziane Barberian, influenciadora digital que utiliza o humor como ferramenta capaz de repensar os rumos da gestão do nosso tempo, tão padronizado e performado nos conteúdos de “rotinas diárias”; pouco aproveitado em práticas de autocuidado. Assim, lembramos que cuidar do bem-estar é mais primordial do que cumprir tantas expectativas sobre nós.

Como mencionado acima, essa discussão foi bastante enriquecedora para o LIDD.

Gostou da resenha? Fique de olho nos próximos encontros!

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LIDDICA – Exposição “Eterno Vulnerável”, de Castiel Vitorino Brasileiro 

O LIDDICA desta semana é a exposição individual “Eterno Vulnerável”, da artista Castiel Vitorino Brasileiro, que acontece no Solar dos Abacaxis (Mercado Central), no centro do Rio de Janeiro.

Reconhecida por propor espaços e procedimentos que entrelaçam arte, espiritualidade e psicologia, a artista – que também é escritora e psicóloga clínica – estreou a mostra no dia 26 de julho, reunindo trabalhos que se aprofundam no eixo principal de seu trabalho: o entendimento dos processos de cura como processos de construção da liberdade.

Com curadoria de Bernardo Mosqueira e Matheus Morani, a exposição ocupa dois andares e é composta por 40 obras inéditas e comissionadas, entre pinturas, instalações, esculturas, mosaicos, cerâmicas, desenhos e vídeos.

“Eterno Vulnerável” nasce da arte como experîencia viva e da espiritualidade como campo político, afetivo e criativo. A artista evoca a importância das formas de viver não-normativas e na liberdade como luta cotidiana, desafiando os rótulos convencionais da arte, dialogando com sua subjetividade e ancestralidade. O próprio título fala da natureza como um espaço frágil, em risco e nunca garantido, sendo “objeto de um esforço constante para ser alcançada, sustentada e imaginada”, como afirmou o curador Bernardo Mosqueira, que também pontua o poder da vulnerabilidade como chão para aprendermos com a sabedoria dos sentimentos e sermos mais livres em nós mesmos.

O Solar dos Abacaxis está disponível para visitação de quarta a sábado, das 10h às 18h e a exposição fica aberta à visitação até o dia 01 de novembro de 2025,

Endereço: Rua do Senado, 48 – centro, Rio de Janeiro

Entrada gratuita!

Gostou dessa liddica? Então fique ligado para as próximas!

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Grupo de estudos: “Vênus em dois atos”, Saidiya Hartman

Dando continuidade aos estudos do semestre sobre memória, tempo e cultura negra, no encontro de ontem (04/09) o grupo se debruçou na leitura do ensaio “Vênus em dois atos”, da pesquisadora e escritora Saidiya Hartman, apresentado por Maíra Mello. 

A autora discorre acerca da fabulação crítica, uma proposta metodológica de pesquisa em diálogo com a escrita criativa, a fim de questionar o jogo de invisibilização da mulher negra nos arquivos dominantes da História. Para tanto, Hartman encontra na construção narrativa da fábula uma possibilidade de ressignificar a trajetória das Vênus, as meninas e mulheres traficadas no período da escravidão. No destino de cada uma delas, perpassa violências físicas (corporais) e simbólicas (sociais).

Porém, a fabulação crítica tem por intenção não elidir tais episódios na vida das mulheres escravizadas; pelo contrário, imaginar o que não foi contado nos arquivos: seus nomes, seus afetos e suas existências. Elas, e tantas outras mulheres negras, se tornam personagens reais na produção da autora, cujo método de investigação está distante da suposta neutralidade científica ou da dramatização ficcional. 

Após a leitura, refletimos sobre a construção da pesquisa científica e da prática artística num exercício de criar outros imaginários além da reprodução da violência, preenchendo lacunas históricas e sociais através do questionamento. 

Como bem pontuou nossa líder, Fernanda Carrera, ainda que se tenha a liberdade de fabular, o arquivo permanece inseparável do jogo de poder, já que ali foi materializado todo o discurso colonial sobre o corpo da mulher negra: domínio sexual, violência e mprte a um corpo sem nome, ou seja, uma vida sem história. Dessa maneira, o trabalho de Hartman ao criar uma “narrativa” para as Vênus está longe de ser uma fabulação pelo simples gosto de imaginar; trata-se, antes, de uma crítica à História escrita sob o ponto de vista do dominador, com a finalidade de reconstruir o passado dolorido para ressignificá-lo, com e contra o arquivo. 

Pensando sobre outras formas de reconstruir memórias de sofrimento sem fetichizar a violência, Laura Rosa compartilhou o trabalho da roteirista Eliana Alves Cruz, uma das responsáveis pela criação da recém-lançada série Capoeiras (Disney Plus, 2025), que visa estratégias estéticas para contar novas histórias representando a juventude negra, deixando de lado o enquadramento arquivístico e da mídia hegemônica de crime, violência e subalternização. Maíra Mello e Rosane Romão citaram as contribuições de autoras negras para a literatura nacional contemporânea, a exemplo das brilhantes Conceição Evaristo — com seu método de Escrevivências, encontrado em Ponciá Vicêncio — e Ana Maria Gonçalves — primeira mulher negra a integrar a Academia Brasileira de Letras (ABL), autora de Um defeito de cor. 

Esse encontro foi fundamental para as próximas leituras do LIDD! Fabular de maneira crítica com Saidiya Hartman é uma forma de reconhecer histórias ancestrais esquecidas e apagadas, de pensar produzindo imaginários belos, rebeldes e resistentes. Também, de nos reconhecer enquanto sujeitos negros, ontem e hoje. 

Espero que tenha gostado dessa resenha. Semana que vem tem mais! 

“Vênus em dois atos” foi traduzido e publicado em: <https://revistaecopos.eco.ufrj.br/eco_pos/article/view/27640>. 

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LIDDICA – Para pensar as masculinidades negras em “De Cierta Manera”, de Sara Gómez

A #liddica de hoje é o longa-metragem De Cierta Manera (1977), o único da carreira de Sara Gómez (1942-1974), a primeira mulher negra a dirigir um filme de ficção em Cuba. Abordando o período Pós-Revolução (1959), a película retrata as comunidades afro-cubanas dos bairros erradicados de Havana, por meio do uso de imagens documentais e situações dramáticas ficcionais ambientadas naqueles territórios. Desse modo, ganham projeção temas recorrentes no contexto sociocultural do país: colonialismo, racismo, desigualdades econômicas, gentrificação etc. 

Na trama, o casal inter-racial Yolanda (Yolanda Cuéllar) e Mario (Mario Balmaseda) vive um amor atravessado pelas diferenças das próprias vivências e visões de mundo. Ela, branca de classe média, é professora recém-chegada à escola primária da comunidade e possui inclinações revolucionárias; ele, negro de classe baixa, trabalha como operário na construção de casas por ali e é próximo do conservadorismo. O relacionamento desses personagens mobiliza questões para a narrativa, sobretudo de gênero, tendo em vista a perspectiva feminista presente tanto na direção como no roteiro assinado por Goméz. 

A crítica sobre o patriarcado/machismo na sociedade cubana aparece sub-repticiamente nas cenas e diálogos com Mario. Ele, que almeja ingressar em uma sociedade religiosa abacuá (historicamente restrita aos homens), serve como retrato da masculinidade negra latina nos idos do século passado, calcada nos supostos ideários de autoridade, virilidade e conquista sexual esperados pela performatividade do gênero masculino. Para além disso, observa-se certa solidariedade entre homens como parte da ética dentro e fora do ambiente de trabalho, e quando é rompida (a exemplo da sequência na qual Mario denuncia as mentiras do amigo), os sujeitos questionam a própria masculinidade por terem agido “como uma mulher”.

O cinema revolucionário de Sara Goméz oferece uma narrativa sensível para os assuntos polêmicos de raça, sexo e classe, algo sublinhado por bell hooks na introdução de seu Cinema Vivido (Ed. Elefante, 2023) ao versar sobre o papel pedagógico dos filmes na compreensão de acontecimentos. De Cierta Manera serve como registro do masculino na América Latina, além dos ecos do machismo nas estruturas sociais. Mais do que revisitar o passado, esse filme híbrido, na interseção entre arquivo e ficção, convida o observador a pensar de que forma a memória e a arte do “olhar opositor” (hooks, 2023) das mulheres negras suscitam interrogações para o presente, marcado por leituras cada vez mais confrontadoras da realidade social.

O filme legendado em português se encontra disponível no YouTube: <https://youtube/Vm9P4OWXsEo?feature=shared>. 

Espero que tenham gostado desta resenha e continuem ligados para as próximas dicas!

Referências

hooks, bell. Cinema vivido: raça, sexo e classe nas telas. São Paulo: Ed. Elefante, 2023.

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Grupo de estudos: “ Performances do tempo espiralar, poéticas do corpo-tela”

Ontem (21) ocorreu a primeira reunião do nosso grupo de estudo neste semestre. Iniciando mais uma temporada dos nossos encontros semanais, a nossa líder, Fernanda Carrera, apresentou o texto “Performances do tempo espiralar, poéticas do corpo-tela”, de  Leda Maria Martins.

Para a autora, o conceito de tempo espiralar rompe com a linearidade ocidental, propondo uma compreensão do tempo como movimento circular, onde passado, presente e futuro se entrelaçam em interseção com a cultura e a memória negra. Nesse sentido, a performance do corpo negro se torna um lugar de reinscrição desta memória, possibilitando que histórias silenciadas ecoem e sejam reconfiguradas de maneira contínua e reparadora. Como trazido por Carrera, tal conceito se relaciona, também, com a lógica das memórias subterrâneas,proposta pelo pesquisador Pierre Nora, que apresenta a ideia de que a memória está sujeita a seletividade do indivíduo, impactando diretamente na interpretação de suas experiências.

A partir desta leitura, tivemos uma troca super rica sobre diversos temas, como o conceito de fabulação crítica e, também, de como as práticas artísticas afro-brasileiras — atravessadas pela oralidade, pela sensibilidade, pela corporeidade e pela ancestralidade — desafiam as formas hegemônicas de pensar o tempo e o corpo. Dentre alguns exemplos, destacamos o trabalho de Mayara Ferrão, artista visual que utiliza da inteligência artificial para reescrever memórias, corpos e afetos que foram invisibilizados devido às diversas camadas de violência que atravessaram (e ainda atravessam) a comunidade negra.

Esta leitura, assim como todas que compartilhamos no LIDD, é, sobretudo, um convite ao pensar crítico sobre de quais formas os corpos estão sempre em performance e como podemos fazer a encruzilhada – outro conceito colocado por Leila Maria Martins neste texto – como um espaço de potência em nossas histórias.

E aí, gostou dessa resenha? Então fica de olho que semana que vem tem muito mais!