Na semana passada, entre os dias 08 e 10, ocorreu o INTERCOM Regional Nordeste na Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN). A professora Fernanda Carrera, líder do nosso laboratório, esteve na mesa de abertura “Os impactos da IA e das tecnologias algorítmicas na comunicação”.
Em sua fala, Fernanda levou reflexões sobre os caminhos teórico-metodológicos interseccionais para a pesquisa em IA e tecnologias algorítmicas contemporâneas, apresentando um olhar sobre a problemática algorítmica em plataformas digitais a partir da sua racialização: antes de sugerir a emergência de erros e vieses, há a percepção de que os processos algorítmicos que condicionam majoritariamente a vida cotidiana atual seguem a lógica da branquitude. Nesse sentido, a fala versou, inclusive, sobre a lacuna da nomeação que solidifica o problema dos algoritmos contemporâneos, isto é, a incapacidade de se identificar os beneficiados rotineiramente (tanto no plano macro como na dimensão micro da vida cotidiana) pelo funcionamento das tecnologias, tornando-os escondidos sob o véu da neutralidade branca. Dentro dessa perspectiva, Fernanda argumenta que os algoritmos são uma ramificação da atitude branca, uma vez que a “a branquitude se expande, se espalha, se ramifica” (BENTO, 2002, p. 47), tornando embranquecido qualquer objeto no qual repousa seu toque.
A lógica da branquitude algorítmica também se arvora pela sua dupla neutralidade: tanto porque é branco, tanto porque é tecnologia. A concepção de neutralidade tecnológica, ou seja, de que os artifícios construídos são exatos, objetivos e independentes dos entornos culturais, é associada a mais uma camada de neutralidade, que é a sua racialização, a branquitude. Nessa direção, Fernanda aponta que toda e qualquer tecnologia que emerge de contextos racializados, sobretudo quando não operam por sua demarcação racial e em prol de iniciativas deliberadas por justiça social, provavelmente reproduzirão os enlaces coerentes a suas estruturas sociais, culturais e subjetivas.
Nossa professora fez uma excelente contribuição para a mesa ao lado de Manu Freitas (UFPE) e Paulo Faltay (UFPE), destacando a importância deste encontro para a região Nordeste, que contou com a participação de mais de 1300 congressistas.
Hellen Freitas
Graduanda em Psicologia (IP/UFRJ) e Bolsista do Laboratório de Identidades Digitais e Diversidade.