Hoje estamos retomando as atividades do LIDD depois de um período de férias e podemos dizer que voltamos com tudo!
Hoje no nosso encontro de leitura semanal a Giselle Barreto apresentou o livro A vida não é útil do líder indígena e pensador, Ailton Krenak. Dividido em cinco capítulos – Dinheiro não se come, Sonhos para adiar o fim do mundo, A máquina de fazer coisas, O amanhã não está à venda e A vida não é útil – o livro de Krenak é um conjunto de entrevistas e palestras que perpassam temas como a pandemia, o capitalismo e a relação dos seres com a natureza.
O autor nos fala sobre como os valores do capitalismo impactam o meio ambiente. E alerta que a mentalidade utilitarista do capitalismo, além da desigualdade social, causa sérios danos ecológicos. Giselle trouxe várias contribuições acerca da obra e ressalta um ponto marcante: Krenak não fala apenas dos povos indígenas, mas de toda a vida que se abandona ao longo do tempo em nome do progresso, por exemplo, com o popular uso de cosméticos e roupas feitas com origem animal.
Para concluir com uma boa reflexão, deixamos aqui uma história antiga do povo Krenak que retrata a relação da humanidade com o meio ambiente:
“Tem uma história antiga do povo Krenak que diz que o Criador deixou uma humanidade aqui na Terra e foi para algum outro lugar do cosmos. Um dia ele se lembrou de nós e disse: “Ah, eu deixei minhas criaturas lá na Terra, preciso ver o que eles se tornaram”. Mas, enquanto fazia esse movimento incrível de vir até aqui nos ver, ele pensou: “E se eles tiverem se tornado algo pior do que eu posso conceber? O melhor seria não ter um encontro pessoal com eles. Vou fazer o seguinte: vou me transformar em uma outra criatura para ver as minhas criaturas”. Ele se transformou num tamanduá e saiu pela campina. Em certo momento, um grupo de caçadores, munidos de bordunas e laços, se encostaram numa paisagem, avançaram sobre ele, o prenderam e levaram pro acampamento com a intenção óbvia de comê-lo. Duas crianças gêmeas, que observavam a cena, evitaram que ele fosse levado para a fogueira. Ele então se revelou para os meninos, que, antes que os adultos descobrissem, acobertaram a sua fuga. Do alto de uma colina, os meninos gritaram: “Avô, o que você achou da gente, das suas criaturas?”. E Deus respondeu: “Mais ou menos”.
Hellen Freitas
Graduanda em Psicologia (IP/UFRJ) e Bolsista do Laboratório de Identidades Digitais e Diversidade.
Uma resposta
Amei❗
Retorno maravilhoso❗
Presentes que a Vida nos presenteia❗💝