No dia 2 de dezembro deste ano o samba comemora os seus 107 anos (oficiais). O gênero musical brasileiro mais famoso do mundo é fruto da negritude, que tanto resistiu para que em 1916 o ritmo fosse legitimado como música e deixasse de ser constantemente perseguido pela sociedade tradicional brasileira — vulgo a branquitude burguesa do início do século XX.
Nascido nos encontros de afro-brasileiros nos morros do Rio de Janeiro, o samba reunia muita música, dança, culinária e rituais religiosos de influência africana, destacando-se não só como um ritmo musical, mas como um ato político, também — já que, naquela época, os negros não tinham nem mesmo a possibilidade de ocupar espaços para a manifestação da sua própria cultura.
Atualmente, o samba é considerado patrimônio cultural imaterial do Brasil, sendo famoso principalmente por meio dos desfiles das escolas de samba e das rodas de samba que hoje em dia acontecem por todo país. Mas, para que hoje possamos falar de um samba que é reconhecido e prestigiado, antes precisamos lembrar que muito disso se deve a participação de mulheres negras para que toda essa notoriedade fosse possível.
Elza Soares, Alcione, Dona Ivone Lara e Leci Brandão são alguns dos nomes de artistas mais importantes do Brasil. Todas mulheres. Todas negras. Todas cantoras de samba. Para além das dificuldades e do racismo que certamente sofreram no decurso de suas vidas, as três artistas ainda foram atravessadas pelo machismo em suas carreiras e, no caso de Leci, a lesbicofobia também tentou derrubá-la.
Mesmo assim, elas não desistiram. Tampouco calaram suas vozes tão potentes; e o tempo nos mostrou que a coragem delas — que estavam à frente de suas épocas — veio para ficar. Especialmente a da Elza, que já se foi, mas que se mantém presente através do impacto incessante de suas músicas.
Portanto, celebrar o samba é mais do que não deixar com que ele morra, como pede Alcione em uma de suas canções mais famosas. Celebrar o samba é, também, enxergar que as mulheres negras — muitas vezes invisibilizadas — merecem todo o reconhecimento e enaltecimento por terem contribuído com a história do samba. Viva ao samba! Viva à elas!
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