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LIDDICA – CONHEÇA EVINHA: CANTORA VIRALIZADA NAS REDES SOCIAIS APÓS MAIS DE 50 ANOS DE CARREIRA

Você já ouviu falar da cantora Evinha? 

Desde o final de janeiro deste ano, quando o novo álbum do rapper BK foi lançado, a faixa “Cacos de Vidro” tem sido destaque na mídia devido ao sample da música “Esperar pra ver” (1971) da cantora Evinha.

O trecho da música onde sua voz inigualável é reproduzida tem ganhado notoriedade principalmente entre os jovens através de vídeos nas redes sociais. Mas, o mais surpreendente é que muitas pessoas desconheciam o trabalho de Evinha, artista que soma mais de 50 anos de carreira musical. 

Por isso, a #liddica de hoje traz um pouquinho de sua trajetória. Vem com a gente!

Eva Corrêa José Maria Gambus, popularmente conhecida apenas como Evinha, é carioca e iniciou sua carreira ainda criança, compondo o Trio Esperança — grupo vocal formado por ela e dois de seus irmãos, Regina e Mário.

 O grupo cantava MPB e era muito popular entre os anos 1960 e 1980. Mas, Evinha também teve bastante sucesso quando decidiu seguir carreira solo, no início dos anos 2000.

Ela esteve fora do país por alguns anos, mas agora, através da participação especial no álbum de um dos rappers brasileiros mais famosos do momento, Evinha volta à tona unindo o antigo ao novo e mostrando que música boa é atemporal e artistas negros que só precisam de mais reconhecimento na nossa sociedade.

Ah, e você sabia que, além de “Cacos de Vidro”, Evinha também participa de outra canção do álbum do BK? A música se chama “Só Quero Ver” e ambas estão disponíveis em todas as plataformas digitais.

Vale a pena conferir! 🤩🎶

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LIDDICA: Exposição – “Antônio Obá: Finca pé | Estórias da Terra” no CCBB do Rio de Janeiro

Trazendo o passado à tona para discutir o presente e o futuro, Antônio Obá chega e traz a terra para ocupar seu devido espaço no Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro.

A #liddica de hoje é a exposição “Antônio Obá: Finca pé | Estórias da Terra”, que chegou na cidade do Rio no mês de março e que vem se destacando como uma das principais experiências artísticas do período, trazendo à tona narrativas que dialogam com a ancestralidade, a identidade e as transformações contemporâneas – inclusive no âmbito digital.

Para além de sua expressividade visual e sensorial, a mostra investiga a matriz cultural que fundamenta a construção de identidade e a resistência das comunidades através das produções do artista brasiliense Antônio Obá. Por meio de obras que resgatam memórias ancestrais e apontam para novas formas de representação, a exposição reafirma o poder das narrativas que se renovam, conectando o legado dos antepassados aos desafios e possibilidades do mundo atual.

Realizada pelo CCBB e incentivada pela Lei Federal de Incentivo à Cultura (Lei Rouanet), a iniciativa conta com uma curadoria atenta às questões de racialidade e identidades em constante transformação, estabelecendo um diálogo firme entre tradição e inovação.

A exposição ficará disponível até o dia 2 de junho e você pode conferir de quarta a segunda, das 09h às 20h (última entrada às 19h30) Os ingressos são gratuitos! 

Saiba mais informações no site do CCBB: ccbb.com.br/rio-de-janeiro/programacao/antonio-oba-finca-pe-estorias-da-terra

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LIDDICA: CAJU – LINIKER

“O lugar mais próspero que eu quero chegar na minha vida, porque eu mereço e eu quero alcançar tudo o que eu escrevi ali”. É assim que a cantora Liniker descreve seu mais recente projeto, o aclamadíssimo álbum musical CAJU.

Lançado em agosto deste ano, CAJU percorre, em suas 14 faixas autorais, as múltiplas camadas de Liniker como artista e como mulher. O disco é uma narrativa da cantora acerca de si mesma, refletindo suas vivências, amores, dores e desafios. CAJU é, em outras palavras, um sopro do medo. Um processo de expansão do íntimo de Liniker para o mundo, desta vez despida de qualquer receio de sua grandiosidade.

Com mais de 1 hora de músicas que exploram seu empoderamento e a vontade de se permitir à tudo – inclusive o nada –, o álbum une referências do pop, do samba, do soul e de outros gêneros – versatilidade já reconhecida nas obras  de Liniker, assim como as sonoridades em suas canções, que trazem à tona uma profundidade emocional única.

Suas letras evocam sentimentos variados e texturas intensas, reverberando as experiências da cantora em seu caminho de amadurecimento e ressignificação de si mesma. Para Liniker, CAJU é um álbum que traduz em arte os momentos de sua vida e os seus sonhos, construindo uma ponte entre sua trajetória pessoal e sua expressão musical. Contando com participação de artistas como Lulu Santos, BaianaSystem, ANAVITÓRIA e Pabllo Vittar ao longo das faixas, o novo disco solidifica a cantora de 29 anos como uma voz potente e singular na música brasileira. 

Dito isso, coloca aí CAJU no repeat e conta aqui pra gente qual das músicas tocou mais fundo em você! 🎶

E não se esqueça: Se curtiu essa liddica, acompanhe-nos aqui no site e em nossas redes sociais para saber muuuito mais!💛

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MULHERES NEGRAS QUE REVOLUCIONARAM A POLÍTICA NO BRASIL

As eleições municipais aconteceram recentemente em todo o país, mas não podíamos deixar de falar um pouquinho sobre a representatividade das mulheres negras e suas contribuições políticas no Brasil. 

Por isso, na liddica de hoje iremos falar sobre Mulheres Negras que Transformaram a Política no Brasil. Essas líderes não apenas abriram caminhos, mas também redefiniram o cenário político, lutando incansavelmente por justiça, igualdade e direitos humanos.

Érika Hilton é uma dessas vozes poderosas. Ela foi uma das primeiras vereadoras trans da Câmara Municipal de São Paulo e atualmente ocupa o cargo de deputada federal eleita no Brasil. Érika tem se destacado na luta pelos direitos da população LGBTQIA+ e pela inclusão racial. Além disso, sua atuação é marcada pela promoção de políticas públicas que visam a equidade social e a visibilidade das minorias, além de seus esforços para aproximar os jovens acerca dos debates políticos vigentes.

Entretanto, antes de Hilton já existiam outras políticas negras fazendo história em nosso país. Benedita da Silva foi a primeira mulher negra a ser eleita para a Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Com uma trajetória rica em ativismo social, Benedita defende incansavelmente os direitos das mulheres e da população negra, contribuindo para a formulação de políticas que buscam justiça e inclusão.

E, se falamos sobre essas pautas, precisamos falar de Almerinda Gama, um ícone da luta pelos direitos da mulher e da população negra. A advogada foi a primeira mulher negra a ser eleita vereadora no Brasil no início do século 20, sendo lembrada por seu compromisso com os direitos das trabalhadoras e pela luta por igualdade racial.

Antonieta de Barros, por sua vez, foi a primeira mulher negra eleita para a Assembleia Legislativa de Santa Catarina. Seu trabalho em prol da educação e dos direitos das mulheres fortaleceu o movimento negro e a luta por políticas de inclusão e diversos outros direitos humanos, que por volta dos anos de 1930, pareciam impossíveis!

Por fim, não podemos deixar de falar sobre Marielle Franco, uma figura emblemática que deixou um legado duradouro que assola todo o país há mais de 5 anos após o seu assassinato. Vereadora do Rio de Janeiro, Marielle foi uma voz ativa contra a violência e a desigualdade social. Sua luta pelos direitos humanos, pelos direitos das mulheres e pela população negra a tornaram um símbolo de resistência, cuja memória e mensagem continuam a inspirar ativistas até hoje.

Cada uma dessas mulheres já conquistou espaços significativos em nossa história e, ao lutarem por direitos, inclusão e justiça social para a população negra, todas elas vêm colaborando ao longo de séculos para a construção de novas oportunidades para as novas gerações.

Gostou desse conteúdo? Saiba mais em nosso acervo aqui no site e em nossas redes sociais!💜

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PROFESSORES NEGROS: AQUELES QUE ENFRENTAM O SISTEMA E CONSTROEM A EDUCAÇÃO ANTIRRACISTA NO BRASIL – Millena Salles

Ser professor no Brasil é um ato de resistência cotidiana. Em meio a uma realidade marcada por desafios estruturais, desigualdades sociais e desvalorização profissional, esses educadores desempenham um papel fundamental na construção do futuro de inúmeras gerações.

Mais do que transmitir conteúdos escolares e acadêmicos, os chamados mestres – não por acaso – são constantemente atravessados por histórias de vida que refletem as diversas camadas de disparidade social experienciadas em nosso país. E, muitas vezes, se deparam até mesmo com situações que também já enfrentaram em suas próprias trajetórias, como o racismo.

Para os professores negros, o cenário educacional é ainda mais árduo. O racismo estrutural transpassa todas as áreas de suas vidas, influenciando tanto suas oportunidades profissionais quanto o reconhecimento que recebem em suas carreiras – onde, infelizmente, durante a maior parte do tempo os seus conhecimentos não são tão estimados como os de seus colegas brancos.

Em um sistema educacional inserido em uma sociedade marcada pela desigualdade racial, a sala de aula se torna um espelho dessas dinâmicas e também um espaço onde as violências simbólicas da sociedade se manifestam. Contudo, felizmente, os professores enxergam para além desta perspectiva, e possuem habilidades que os fazem capazes de moldar os ambientes de aprendizagem de maneira em que seja possível lutar contra um sistema que perpetua essas interseccionalidades. 

Sendo assim, ao levarmos isso tudo em consideração e compreendermos a importância dessa profissão, que assume o enorme compromisso de estimular o outro a pensar e criticar o mundo a sua volta,  podemos dizer que insistir lecionar no Brasil  é mais um grito de resistência da negritude. Principalmente diante do contexto educacional que se perdura no país ao longo de todos esses anos.

A desvalorização profissional também aparece como um dos aspectos mais notáveis dessa batalha diária dos nossos educadores. Com salários baixos, condições de trabalho precárias e falta de infraestrutura, muitos docentes enfrentam uma carência de recursos que afeta diretamente a qualidade da educação que oferecem. Em várias regiões, as escolas e universidades padecem com a falta de investimentos, e o ambiente de aprendizado é frequentemente inseguro, tanto para alunos quanto para todos os profissionais dessas instituições. A violência, tanto física quanto psicológica, é uma constante na rotina de muitos educadores, que precisam além de ensinar, gerir conflitos, combater preconceitos e lidar com a indiferença dos governos e, muitas vezes de maneira inconsciente, da sociedade também.

Os professores negros, em especial, não apenas enfrentam discriminações raciais em suas vidas, como também atuam como figuras essenciais na desconstrução de narrativas racistas dentro das escolas e universidades. Frequentemente, são eles que introduzem discussões sobre representatividade, história afro-brasileira e teorias sobre racialidade, desafiando um sistema educacional que historicamente silenciou vozes e saberes racializados. Eles se tornam verdadeiros instrumentos para  transformações profundas, impactando diretamente a vida de crianças, jovens, adultos e idosos que também convivem com a exclusão racial e social.

Apesar de tamanhas adversidades, os professores seguem firmes, movidos por um admirável ideal de justiça e transformação. São eles que, diariamente, resistem ao sistema hegemônico branco em que estamos estabelecidos, que sonham e projetam um Brasil mais justo e consciente. São os professores que têm feito a diferença na vida de milhares de estudantes ao redor do nosso país, convivendo com histórias de violência, abandono e falta de perspectivas, mas também testemunhando o potencial de mudança que a educação carrega e é capaz de produzir. 

Mesmo desvalorizados e, muitas vezes, ignorados pelas políticas públicas e pela própria sociedade, os professores brasileiros, especialmente os negros, são mais que transmissores de conhecimento: são construtores de futuros possíveis, são os precursores de realidades mais respeitosas que só poderão ser alcançadas através da educação.

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FÃS PODEM SER RACISTAS? – Millena Salles

No cenário do entretenimento, os fãs exercem um papel fundamental no fortalecimento da carreira de artistas, atletas e outros profissionais influentes, sendo responsáveis por criar comunidades, divulgar trabalhos e apoiar seus ídolos. No entanto, é necessário questionar até que ponto essa relação de admiração pode também mascarar práticas racistas. Apesar de muitas vezes disfarçado sob a premissa de “entretenimento” ou “opiniões”, o racismo como performance de fãs — praticado especialmente no ambiente digital — é uma realidade que precisa ser mais discutida em nossa sociedade.

O conceito de Racismo Recreativo, abordado pelo jurista Adilson Moreira, refere-se à normalização de práticas racistas disfarçadas de humor ou entretenimento. Esse fenômeno legitima a exclusão e inferiorização de pessoas negras, muitas vezes justificando comentários pejorativos como “apenas uma piada”. Moreira ainda enfatiza que essa modalidade de racismo é especialmente prejudicial, uma vez que passa muitas vezes despercebida, tornando-a mais difícil de ser combatida. Na cultura de fãs, essa dinâmica é facilmente identificável, como quando críticas e insultos a traços fenotípicos de artistas ou atletas negros são feitas de maneira leviana, como por exemplo, um “simples” meme.que se reverbera entre os fandoms — como são chamadas as comunidades de fãs —, mas que pode revelar questões profundas que se camuflam dentre as diversas camadas da estrutura social preconceituosa que vivenciamos no Brasil. 

O ciberespaço, com sua característica descentralizada e de baixa fiscalização, acaba sendo um terreno fértil para a proliferação dessas atitudes, onde o anonimato e a falta de regulação tornam a discriminação racial ainda mais intensa e perigosa. Luís Valério Trindade, em sua obra de 2022, aborda como o ódio às pessoas negras é remanescente da escravidão e como isso está escancarado nas redes sociais. Para o intelectual, as redes sociais são, nos dias de hoje, reflexo do sistema estruturalmente racista na qual estamos inseridos socialmente e, devido à falta de uma legislação geral e fiscalização efetiva em relação aos ambientes virtuais, é bastante comum que práticas racistas ainda sigam impunes na internet.

A filósofa Sueli Carneiro contribui para essa discussão ao propor o conceito do Dispositivo de Racialidade, que organiza e perpetua as relações raciais na sociedade, legitimando o racismo de forma institucional e simbólica. Esse dispositivo também atua no campo midiático e nas relações entre fãs e ídolos, naturalizando a desqualificação de corpos racializados. Assim, os discursos racistas de fãs refletem um sistema complexo que determina quem tem o direito de ser admirado ou atacado. E, além disso, os ataques muitas vezes extrapolam o ambiente virtual, como tem acontecido com a cantora Ludmilla e com o jogador de futebol Vinícius Jr, frequentemente alvos de racismo em suas aparições públicas.

É importante salientar que as práticas racistas nas redes sociais são ferramentas poderosas para o boicote às carreiras das pessoas racializadas, especialmente aquelas em ascensão. Personalidades negras, como Ludmilla e Vini Jr, merecem ocupar posições de destaque e reconhecimento quando alcançam esses lugares, e o problema apresentado neste texto evidencia não apenas a necessidade de haver uma revisão das diretrizes das plataformas digitais, mas também a importância de refletir mais criticamente sobre as dinâmicas subjacentes aos discursos que nos atravessam no campo midiático. É crucial reconhecer que a falta de discussão sobre o racismo como performance de fãs na sociedade brasileira facilita a organização da branquitude, perpetuando a segregação racial e de gênero por meio de discursos e comportamentos discriminatórios que, muitas vezes, passam despercebidos nas interações cotidianas.

Diante desse cenário, é fundamental questionar: Fãs podem ser racistas? 

A resposta, infelizmente, é sim.

Muitos fãs, mesmo que de maneira inconsciente, legitimam narrativas que inferiorizam pessoas negras, apesar de seu destaque profissional. E, partindo deste ponto, podemos concluir que o fato de ser fã não isenta ninguém de praticar racismo, mesmo que o crime  esteja ocorrendo na internet.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:

CARNEIRO, Sueli. Dispositivo de racialidade: A construção do outro como não ser como fundamento do ser. Editora Zahar, São Paulo, 2023

TRINDADE, Luiz Valério. Discurso de ódio nas redes sociais. São Paulo: Editora Atlas, 2022.

MOREIRA, A. Racismo Recreativo. 1ª Edição. Editora Polén Livros. Abril, 2019.