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Consciência Negra: um olhar para além das nossas dores. 

Há séculos que tentam exterminar a nossa existência. Primeiro com a colonização, depois com o epstemícidio. Nunca com a nossa cultura, mas essa em especial eles insistem em querer sequestrar e apropriá-la como algo branco. Isso nós nunca seremos. Aliás, nos recusamos.

Insistimos, resistimos e atualmente, para além da luta, exaltamos nossa negritude. O samba, o charme, as tranças, o funk. Isso tudo é coisa de preto, coisa nossa. E, portanto, temos o direito de desfrutar de tudo o que nos pertence com leveza e dignidade.

Hoje, dia 20 de novembro, feriado nacional da Consciência Negra, precisamos lembrar não só do racismo, não só das dores e marginalizações que se perduram em nossas experiências diárias, mas também daquilo que nos une em singularidade. Da negritude que atravessa nossos diversos tons de pele preta e que nos reúne em uma única comunidade.

Ter consciência negra é, além de ser antirracista, entender que precisamos (e devemos) nos apoderar das nossas narrativas. De nos emancipar de todas as amarras que tentam nos conter e nos acorrentar ao silêncio. O silêncio não nos cabe mais. Temos voz e sabemos disso; temos sede de gritar.

Precisamos empretecer o nosso pensamento e reivindicar nossos espaços, seja culturalmente, politicamente ou intelectualmente. Precisamos ser livres. E seremos.

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LIDDICA KIDS – CADA UM NA SUA CASA

Nada melhor que uma sessão pipoca com as crianças para relaxar nesse feriado, não é mesmo?

Por isso, nossa liddica de hoje é de um filme super divertido, o “Cada um na sua casa”. Na história a Terra é invadida por uma raça alienígena em busca de um novo lar. Porém, uma esperta garota chamada Tip consegue fugir e acaba virando cúmplice e amiga de um alienígena exilado chamado Oh. Os dois fugitivos embarcam em uma grande aventura. O filme deixa a reflexão sobre valores e a importância do respeito às individualidades. Disponível na Netflix, Amazon Prime e no Youtube, o filme é para todas as idades. Reúna a galera, estoura a pipoca e dá o play! 

Vale a pena se divertir e aprender com essa dupla! 

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LIDDICA — “Pele Negra, Máscaras Brancas”

Trazendo contribuições singulares para o pensamento antirracista, “Pele Negra, Máscaras Brancas” é uma obra seminal escrita por Frantz Fanon, um psiquiatra e filósofo político nascido na Martinica, que se tornou uma voz proeminente no movimento anticolonial e na luta pela igualdade entre raças.

Publicado em 1952, o livro oferece uma análise penetrante das complexidades psicológicas e sociais enfrentadas por pessoas negras em uma sociedade colonizada ou pós-colonial.

A obra se destaca por sua abordagem interdisciplinar, combinando elementos da psicanálise, filosofia e crítica social para explorar o impacto do racismo e do colonialismo na formação da identidade individual e coletiva dos negros. Fanon argumenta que a opressão racial impõe uma “máscara branca” sobre os indivíduos pretos, levando-os a internalizar estereótipos e complexos de inferioridade.

O autor também discute a alienação vivida pelos negros em sociedades coloniais, onde são tratados como cidadãos de segunda classe e frequentemente vistos como “outros”. Ele enfatiza a necessidade de uma conscientização radical e da reconquista da própria identidade como uma etapa crucial na luta pela emancipação negra.

Ao longo da obra, Fanon expõe a violência psicológica e física sofrida pelos negros e destaca a importância da resistência e da solidariedade entre as comunidades oprimidas. Ele também critica o discurso assimilacionista, que sugere que os negros devem se esforçar para se tornarem mais parecidos com os colonizadores para serem aceitos na sociedade.

O impacto de “Pele Negra, Máscaras Brancas” é duradouro e sua relevância se estende muito além do contexto histórico em que foi escrito, sendo uma obra atual até mesmo nos dias de hoje. Fanon oferece uma visão profunda das questões de identidade, raça e poder, e sua obra continua a influenciar estudiosos, ativistas e artistas em todo o mundo. É leitura essencial para qualquer pessoa interessada em compreender as dinâmicas do racismo e da opressão, e na busca por justiça e igualdade. Fica aí a nossa #liddica da semana!

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RELAÇÕES RACIAIS: ATRAVESSAMENTOS PSICOSSOCIOLÓGICOS

O presente texto tem por objetivo expor os conceitos acerca da definição de psicossociologia, bem como ressaltar a abordagem do tema pela ótica de Sigmund Freud e Jacyara Nasciutti. Com correlação da ideia de autores como Sílvio Almeida, Grada Kilomba, Neuza Santos Souza e Lélia González, busca-se compreender o papel do processo de identificação psicossocial na constituição das relações raciais e como elas são atravessadas, bem como explicitar os processos de subjetivação que envolvem o conceito de raça e como eles são inscritos no psíquico do sujeito negro.

PSICOSSOCIOLOGIA

Segundo Jacyara Nasciutti (1996), a psicossociologia se manifesta na interdisciplinaridade da relação entre psicologia e sociologia, dada a tensão que existe entre elas, na medida em que a sociedade transcende o indivíduo enquanto é constituída pelo mesmo, e o indivíduo, inerentemente específico, é formado em contato com os outros, com o coletivo. Assim, apesar de seus contrastes, o social e o psicológico são inseparáveis. Uma boa relação nesse sentido é a dualidade entre identidade e identificação: a identidade é singular, mesmo que esteja sujeita a processos identificatórios, por outro lado, proporciona a emergência de identificações, que mediam, moldam e fortalecem especificidades. A identificação reafirma uma identidade e proporciona ao indivíduo um ambiente confortável no qual ele pode explorar suas particularidades.

Freud (2011) foi sensível à linguagem das peculiaridades humanas ao buscar a compreensão de questões como o aparelho psíquico e o significado dos sonhos, bem como ler de modo consciente as pessoas que os produziam. Cada pessoa só pode compreender o corpo se for mapeado pelos recursos da linguagem, ou seja, movido pela linguagem, pelos sentimentos, pelos desejos e, portanto, por pulsão. O próprio ato de nomear confere significância ao corpo bem como os acolhimentos que recebemos no desenvolvimento primário ainda na fase da gestação. Freud acredita ainda que a capacidade para o amor e para o trabalho, a possibilidade de estabelecer relações, se dá através da inscrição no laço social, uma conexão de relações que abarcam afetos e significações. Sendo assim, a identidade configura-se como constituinte do indivíduo e indispensável para a dinâmica social. 

IDENTIDADE E RELAÇÕES RACIAIS

A partir do que foi exposto, é possível afirmar que a identidade é fruto de múltiplas relações. Entretanto, tais relações podem ser ferramentas de controle através da manutenção de identidades, o que ocorre nas sociedades ocidentais, por exemplo. Os indivíduos são assujeitados, tornados sujeitos através de uma série de mecanismos que vão desde ao registro geral feito no nascimento de uma criança até os estereótipos que podem ser produzidos em torno de uma pessoa ou grupo, de forma a produzir aceitação ou marginalização.

O filósofo Sílvio Almeida no prefácio do livro Armadilha da identidade de Asad Haider (2019) aponta para as políticas identitárias e afirma que a identidade é usada pelo sistema capitalista como um instrumento de demarcação ao transformar pessoas em “negros” e “brancos”. Sendo assim, ela revela seu efeito de “reafirmação da subjetividade colonial”, ou seja, é necessário classificar indivíduos para facilitar o processo de inferiorização de grupos de modo que sejam postos à margem da sociedade por determinações de cunho econômico-político-ideológico.

Ainda que haja avanços em relação às questões étnico-sociais na atualidade, a vivência não-hegemônica continua invisibilizada, silenciada e marginalizada. A raça perpassa o indivíduo, ainda que este tente desconsiderar os marcadores sociais que o atravessa, principalmente quando se trata de uma pessoa negra. A ausência de equidade social, os estigmas reproduzidos pela mídia, as estatísticas de morte e os diversos impasses presentes na dinâmica social denotam o racismo estrutural tão bem impregnado no Brasil. Nesse contexto, a psiquiatra e psicanalista Neusa Santos Souza (2021), sob ótica da psicanálise, retrata em sua obra “Tornar-se negro” os sofrimentos psíquicos que acometem pessoas negras pela falta de consciência acerca de si mesmo, como consequência do racismo e da internalização do padrão branco como um ideal a ser atingido.

Ela aponta que a cultura ocidental atribui ao homem um valor social, de modo a individualizar subjetividades e atrelar a identidade do indivíduo à materialidade do mundo. Por isso, as sociedades são marcadas pela criação de um indivíduo ideal, o indivíduo valorizado, que possui raça definida, o Outro é quem afasta-se da “regra” e deve ser excluído, no mínimo invisibilizado, para que haja a conservação da estrutura admitida. Nesse sentido, o branco é a norma, o ideal de pureza, beleza e civilidade. 

Em uma sociedade em que o branco é o referencial, o negro é o Outro, definido como inferior ao ser Ideal. Por conseguinte, segundo Souza, o negro possui um “duplo desafio”: conhecer a si mesmo e eliminar-se. Conhecer a si mesmo significa compreender-se como um sujeito único, revestido de valores e particularidades como todos os indivíduos, bem como atentar-se para a sua forma de ser e estar no mundo. Em contrapartida, eliminar-se significa internalizar o indivíduo ideal, branco, e recusar a si mesmo ao reconhecer a sua impossibilidade de atingir o desejo de assemelhar-se a tal. Decorrente do exercício de eliminação do Outro, existem vários mecanismos de anulação da negritude, como o embranquecimento estético e epistemológico.

O embranquecimento estético se dá quando a sociedade define autoridade ao corpo branco conferindo-lhe o ideal de beleza e ao negro, ultrajado pelos seus fenótipos, como o animalesco, feio e subserviente, busca assemelhar-se à norma a partir de alisamento capilar, procedimentos de clareamento de pele ou maquiagem, e mais que isso, o embranquecimento pode perpassar as relações de modo que as pessoas busquem constituir famílias com pessoas brancas com o objetivo de clarear a família e assegurar para as próximas gerações o conforto da branquitude. Já o embranquecimento epistemológico envolve a noção de que os saberes e conhecimentos admitidos pela população negra são invalidados, uma vez que advêm de uma população intelectual inferior e subalterna aos brancos, portanto, são produções insuficientes. Entretanto, tendo em vista que o marcador social de raça foi concebido para materializar nos corpos a hierarquia proposta pelo capitalismo, podemos constatar que não há diferença intelectual entre raças. A partir desta lógica de apagamento, ocorre o embraquecimento, ao transferir o conhecimento de autoria de pessoas negras para um ideal branco, um exemplo é o fato de o autor Machado de Assis, um homem negro, ser retratado na sociedade como um homem branco. Ou seja, quando não é possível negar uma epistemologia negra, ela é redefinida para que se torne branca no imaginário social.

Tais mecanismos de anulação impactam severamente a vida da população negra. A respeito disto, a psicanalista Grada Kilomba (2019) desdobra a ideia de racismo cotidiano e a forma como ele é refletido na percepção de si:

Toda vez que sou colocada como “outra” – seja a “outra” indesejada, a “outra” intrusa, a “outra” perigosa, a “outra” violenta, a “outra” passional, seja a “outra” suja, a “outra” excitada, a “outra” selvagem, a “outra” natural, a “outra” desejável ou a “outra” exótica –, estou inevitavelmente experienciando o racismo, pois estou sendo forçada a me tornar a personificação daquilo com o que o sujeito branco não quer ser reconhecido. Eu me torno a/o “Outra/o” da branquitude, não o eu – e, portanto, a mim é negado o direito de existir como igual. (KILOMBA, 2019, p. 52-53)

 A supremacia branca, por sua vez, guarda um pacto de omissão da sua posição na estrutura social para conservar os privilégios consequentes da estabilidade da hierarquia social, de modo a garantir o gozo de seus privilégios.

Tendo em vista as concepções apresentadas, é possível concluir que o marcador racial está imbricado em todas as instâncias da sociedade. Desde as relações familiares, políticas e até legais, não existe estrutura social, no sistema capitalista, sem a noção de raça. Consequentemente, a dimensão psicossocial do sujeito também está associada a estes mecanismos de subjetivação, as identidades impostas através de aparatos identificatórios, direcionam a população negra  para a base da pirâmide social. Aqui, o social atravessa o psíquico e remete à população negra inúmeros desafios para lidar com todas as questões que permeiam a sua vivência. Nesse sentido, a ativista Lélia González, grande nome do feminismo negro no Brasil, ensina:

“O importante é procurar estar atento aos processos que estão ocorrendo dentro dessa sociedade, não só em relação ao negro, ou em relação à mulher; você tem que estar atento a esse processo global e atuar no interior dele para poder efetivamente desenvolver estratégias de luta”. (UAPÊ, 2000)*

REFERÊNCIAS

*Entrevista concedida à revista SEAF (Sociedade de Estudos e Atividades Filosóficos), republicada em forma de depoimento, como homenagem, na UAPÊ REVISTA DE CULTURA N.º 2 – “EM CANTOS DO BRASIL” Editora Uapê , março 2000.

FREUD, Sigmund. Psicologia das massas e análise do eu e outros textos. (1920-1923). São Paulo: Companhia das Letras, 2011.

HAIDER, Asad. Armadilha da identidade: Raça e classe nos dias de hoje. São Paulo: Veneta, 2019.

KILOMBA, Grada. Memórias da plantação: Episódios de racismo cotidiano. 1. ed. Rio de Janeiro: Cobogó, 2019.

NASCIUTTI, Jacyara C. Rochael. Reflexões sobre o espaço da psicossociologia. In: Documenta Eicos, 1996, nº 7.

SOUZA, Neusa Santos. Tornar-se negro. 1.ed. Rio de Janeiro: Zahar, 2021.

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LIDDICA – “Funk: Um Grito de Ousadia e Liberdade”

Mostrando que também é arte, o funk agora está ocupando seu devido espaço no Museu de Artes do Rio de Janeiro.

A exposição “Funk: Um Grito de Ousadia e Liberdade” chegou no dia 29 de setembro como a principal mostra do ano de 2023 no MAR com o objetivo de perpassar os contextos do funk carioca através da história. 

Para além da sua sonoridade, a exposição visa evidenciar a matriz cultural urbana e periférica e toda a dimensão estética, política e social de comunidades constituídas fundamentalmente por pessoas negras — principais responsáveis pela criação, produção e difusão do ritmo que surgiu marginalizado no Rio e hoje conquista todo o Brasil.

A exposição é apresentada pelo Instituto Cultural Vale e conta com a curadoria da Equipe MAR junto a Taísa Machado e Dom Filó, além da consultoria de Deize Tigrona, Celly IDD, Tamiris Coutinho, Glau Tavares, Sir Dema, GG Albuquerque, Marcelo B Groove, Leo Moraes e Zulu TR. 

A mostra ficará disponível até o dia 24 de Agosto de 2024 e você pode conferir de terça a domingo, das 11h às 18h (última entrada às 17h). O valor do ingresso está a partir de R$10 (meia).

Saiba mais informações no site do MAR: museudeartesdorio.gov.br

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LIDD KIDS – Você conhece as pretinhas leitoras?

Nesta semana do dia das crianças, o LIDD kids entrará em ação trazendo dicas de conteúdos para a criançada. Hoje vamos falar sobre o projeto Pretinhas Leitoras, uma invenção das irmãs gêmeas Helena e Duda. Apelidadas carinhosamente por sua mãe, Elen Ferreira e sua avó, Eva Soares, de pretinhas, se encantaram pela leitura desde muito cedo. Nascidas no Morro da Providência, no Centro do Rio de Janeiro, idealizaram o projeto a partir de conversas entre crianças e seus responsáveis. 

Com debates no canal do Youtube ou no Instagram ou em rodas de leitura que promovem para reunir mais crianças, jovens e contadores de histórias, as meninas buscam construir uma educação afroreferenciada, através de leituras pluriversais com foco no protagonismo infanto-juvenil, feminino, negro e indígena. 

Desde 2018, as pretinhas leitoras reuniram milhares de crianças e adolescentes em suas rodas literárias, lançaram o livro Fa-vê-las com participação de cem autores e autoras mirins, em 2021, e atualmente estão no comando do quadro Encontro com as Letrinhas, na TV Globo, no Encontro com Patrícia Poeta. 

Conheça as redes dessa dupla incrível e fique por dentro de tudo o que rola por lá: 

Site: https://www.pretinhasleitoras.com.br/

Instagram: https://www.instagram.com/p/CwoNpBpp0FD/

Twitter: https://twitter.com/pretasleitoras

Youtube: https://www.youtube.com/c/PretinhasLeitoras/

Facebook: https://www.facebook.com/pretinhasleitoras/