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É com muito prazer que apresentamos a II edição do LIDD Convida, que acontece online no dia 29.04, às 18h: Katiúscia Ribeiro, doutora em Filosofia pela UFRJ, apresentadora do programa O Futuro é Ancestral no canal GNT e professora da PUC/SP. Suas pesquisas envolvem Filosofia em Kemet, Filosofia Africana antiga, saberes e epistemologias ancestrais.
Grupo de Estudos – 04/02
Ontem (01) foi dia de grupos de estudos no LIDD. Tivemos a oportunidade de ler um capítulo, em andamento, da dissertação de mestrado em Comunicação da Giselle Mendes, integrante do grupo. Com o título “Negro tema e Negro vida: A mulher preta nas telenovelas brasileiras”, o trabalho de Giselle investiga a representação de mulheres pretas nas telenovelas brasileiras, transmitidas em rede nacional nos últimos 25 anos, através da trajetória da atriz Taís Araújo.
Entendendo que as novelas reproduzem dinâmicas do cotidiano, Giselle conta que as telenovelas sempre foram para ela um canal de debate com sua família, onde era possível conversar sobre questões raciais de forma simples. Para a análise da pesquisa, ela faz um recorte temporal e avalia a participação da atriz em algumas novelas das décadas de 1990 e do início dos anos 2000: “Xica da Silva” (1996), “Da cor do Pecado” (2004), “Cobras e Lagartos” (2006), “Viver à Vida” (2009) e “Amor de Mãe” (2018). Entre os seus referenciais teóricos, estão Frantz Fanon e Lélia Gonzalez.
A partir dos estudos de Fanon, Giselle ressalta que mesmo a Taís Araújo sendo a Preta de “Da cor do Pecado” (convenhamos que esse título já é bastante problemático, não?) e a Helena de Manoel Carlos em “Viver à vida”, a atriz ainda continua sendo discriminada. A trajetória de Taís na teledramaturgia nos mostra como o mito da democracia racial é um projeto falido, ainda que ela seja protagonista e esteja em lugar de destaque. Antes de atriz, Taís é uma mulher negra, seu primeiro figurino é a sua pele.
Durante o nosso encontro algumas perguntas acompanharam o debate: Por que Taís Araújo é sempre a mulher negra escolhida para papéis de destaque? Por que, na maioria dos casos, ela é a única atriz negra em programas da Rede Globo? Por que sempre cobram posicionamento da atriz?
Terminamos a reunião ansiosas para ler mais do trabalho de Giselle, que com certeza será uma excelente contribuição para o seu campo.
LIDDICA – A MULHER REI
A liddica para este início de semana é uma produção audiovisual imperdível: o filme “A Mulher Rei”.
O longa estrelado por Viola Davis conta a história de uma guerreira africana que se torna a líder de seu povo. Baseado em eventos reais, o filme se passa no Reino do Daomé (que hoje é o Benin), na África Ocidental, durante o século 18.
O enredo gira em torno da personagem principal, uma mulher chamada Nanã Yaa Asantewaa (Viola Davis) que lidera sua nação contra a ocupação colonial francesa. Ela é uma figura histórica importante, conhecida por sua coragem e liderança durante a guerra contra os colonizadores europeus.
O filme destaca não apenas a luta contra a colonização, mas também a riqueza cultural e a força das mulheres africanas. Viola Davis interpreta o papel de Nanã de forma poderosa e emocionante, trazendo à vida essa figura histórica marcante.
“A Mulher Rei” foi um filme bastante aclamado pela crítica cinematográfica, sendo elogiado por sua narrativa envolvente, pela atuação de Viola Davis e pelo seu propósito de destacar uma parte importante e muitas vezes esquecida da história africana: a resistência negra contra a opressão colonial e o papel fundamental das mulheres negras durante todos os conflitos enfrentados.
“A Mulher Rei” é um filme inspirador que celebra a negritude, a história africana e a representatividade negra no cinema. Você já assistiu?
Deixe aqui o seu comentário sobre suas impressões sobre o filme! 🍿 🎥
Neste primeiro semestre de 2024, as discussões quinzenais do LIDD serão embasadas por um tema principal: o Colorismo.
Para entender mais sobre assunto, leia até o final e confira a #liddica imperdível desta semana!
Antes de tudo, saiba que o colorismo é um tipo de discriminação baseada nas tonalidades da pele, geralmente dentro da mesma comunidade racial ou étnica. Ele envolve a preferência por tons de pele mais claros em detrimento de tons mais escuros, o que pode resultar em alguns tratamentos diferenciados, preconceitos e desigualdades com base na cor da pele de uma pessoa ou grupo.
O principal efeito deste tipo de racismo se fundamenta na percepção do grupo dominante sobre o grupo dominado e também na percepção dos indivíduos racializados acerca deles mesmos. É importante salientar que o colorismo se constrói atravessando o contexto histórico colonialista responsável pela miscigenação brasileira e também por suas consequências sociais, políticas e econômicas que ainda hoje desfavorecem as pessoas não-brancas a terem oportunidades de ascensão em todas as esferas.
Entretanto, também precisamos pontuar que o colorismo segue a mesma lógica da interseccionalidade; e que, por conta disso, nenhuma experiência é igual em relação à racialidade e às opressões. Precisamos considerar os diversos contextos que envolvem gênero, classe, sexualidade, territorialidade e outros fatores.
Agora que você já sabe um pouquinho sobre o Colorismo, segue a lista dos 5 livros que irão te ajudar a aprender e se aprofundar sobre o tema:
- A Cor Púrpura – Alice Walker;
- Pele Negra, Máscaras Brancas – Frantz Fanon;
- Tornar-se Negro – Neusa Santos Souza;
- Colorismo – Alexandra Devulsky;
- Quando Me Descobri Negra – Bianca Santana.
Gostou destas indicações? Acompanhe nossas dicas e saberes aqui no site e fique por dentro desse e de outros assuntos através das nossas redes sociais!📚
Ontem (19) iniciamos o nosso grupo de estudos quinzenal com a leitura do texto “O Colorismo em Alice Walker e a construção interseccional de feminilidades negras” de Larissa Fontana. O texto foi apresentado pela professora Fernanda Carrera, líder do nosso laboratório. Neste período, vamos nos aprofundar nos estudos sobre Colorismo e você está convidada(e/o) a embarcar nesse caminho conosco. A seguir, você confere um pouquinho do que foi discutido na reunião.
O Colorismo é um “conceito guarda-chuva” que abrange diversos pontos da discussão racial, envolvendo a forma como você enxerga o outro e a si mesma, na dimensão da alteridade e da identificação para além, inclusive, da cor da pele. A autora Larissa Fontana fez o trabalho de analisar os discursos sobre colorismo e já na introdução responde a questionamentos sobre o termo. O discurso sobre colorismo corresponde à mesma lógica de interseccionalidade, trata-se de experiências diferentes de ser e estar no mundo enquanto pessoa racializada. Ou seja, ninguém tem uma experiência homogênea em relação à racialidade e às opressões, tudo depende de uma série de contextos que envolvem gênero, classe, território, sexualidade, geração e outros fatores.
Alice Walker, autora do best-seller “A cor púrpura”, foi a primeira pessoa a usar o termo colorismo. O conceito nasce da base, da vivência, assim como o conceito de interseccionalidade; não nasce das produções acadêmicas. Podemos pensar o colorismo como “uma denúncia de dentro”. Desmistificando a identidade da criadora do conceito, é interessante refletir sobre o trabalho de Alice Walker fora dos muros da academia, ambiente que segue se apropriando de saberes desenvolvidos pelo olhar da experiência.
O colorismo é um mecanismo de gradação dentro da lógica racial que envolve cor de pele mas não se encerra nela; é sobre percepção racial. Assim, podemos dizer que fatores como gênero, classe e território, assim como cabelo e corpo também aproximam uma pessoa negra de pele escura do privilégio racial mesmo que ela seja uma pessoa negra retinta. Portanto, não é apenas uma questão sobre melanina.
Não existe violência por colorismo, seja para pessoas de pele clara ou de pele escura. Na verdade, quem sofre por meio de raça, sofre pela dinâmica do racismo. Há quem diga que o colorismo se configura enquanto um sistema de fragmentação interna da comunidade negra. Entretanto, é uma fala errônea por supôr que a própria comunidade tivesse escolhido se fragmentar. O colorismo como mecanismo de hierarquização no racismo é uma invenção externa.
Referência:
FONTANA, Larissa. O colorismo em Alice Walker e a construção interseccional de feminilidades negras. Revista Letras. Curitiba: 2022, p. 140 – 16.
LIDDICA: AFROHIT – IZA
“Uma jornada que se molda pouco a pouco na forma de mulher, em busca de aprender sobre o amor na sua própria mitologia.” É assim que a própria cantora Iza descreve o projeto mais recente de sua carreira, o álbum AFROHIT.
Lançado em 03 de agosto de 2023, AFROHIT traz durante 12 faixas as diversas facetas de Iza enquanto artista e mulher negra. Trata-se de sua trajetória em busca de se descobrir e se reconhecer em si mesma, em meio às suas próprias vivências e superações.
Somando mais de 40 minutos de música da melhor qualidade, os ritmos com influência da cultura urbana africana se alternam com o R&B já onipresente na carreira da artista, dando profundidade às letras que ressoam diversos sentimentos experienciados por Iza durante os últimos anos — principalmente após o seu processo de divórcio e a chegada de um novo relacionamento.
A própria cantora já declarou algumas vezes que AFROHIT é um álbum onde ela explora suas referências dentro e fora da música e se reconecta com o sua força interior, sua ancestralidade e a negritude, oferecendo um conceito onde vários aspectos percebidos em sua vida pessoal se transformam em arte e moldam quem ela é e quer ser.
Parcerias com MC Carol, L7NNON e Djonga, outros grandes nomes da música brasileira, não deixam dúvidas da potência que Iza é dentro e fora dos palcos. Então, já põe AFROHIT no repeat e depois conta aqui qual das canções é a sua favorita! 🎧💜🎶