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Leitura da Semana – O Fim da Supremacia Branca

O debate da semana, 04/05, foi pautado na leitura de O Fim da Supremacia Branca de Saidiya Hartman.

A americana Saidiya Hartman é uma escritora e atualmente professora da Universidade Columbia em Nova York. Com seu trabalho voltado pros estudos afro-americanos, a pesquisadora vem sendo considerada uma das principais referências da diáspora africana. 

Em “O Fim da Supremacia Branca”, Saidiya comenta sobre o cenário político e social em que O Cometa foi publicado, comentando sobre a sátira em torno de uma democracia falida. Traçando uma linha entre o conto, a pandemia da Gripe Espanhola e a da Covid-19 a acadêmica aponta a violência contra a população negra dos Estados Unidos.

A conversa foi mediada pelas participantes do LIDD Rosane Romão, doutoranda pelo PPGCOM/UFF e Elen Karoline da Silva, mestranda pelo PPGCOM/UFF, em uma análise que pensa o conceito histórico e ambienta o processo das novas articulações do racismo na sociedade.

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LIDDICA – Cores e Botas (2010)

A liddica de hoje é o curta-metragem “Cores e Botas” dirigido pela cineastra brasileira Juliana Vicente. O curta conta a história de Joana, uma criança que assim como a maioria das meninas que assistiam televisão nos anos 80, sonhava em ser Paquita. Certo dia, Joana comunica a sua família que fará um teste na escola para compor o time das coadjuvantes do programa. Vale mencionar que nossa protagonista é uma criança negra e tem cabelo crespo, ao contrário do padrão exibido no Show da Xuxa. Ao participar da seleção, uma das professoras da banca de seleção dispara: “Será que vamos ter uma paquita exótica?”

Apesar de Cores e Botas ser uma ficção, essa foi a história de milhões de crianças. A população negra vivencia desde a infância a invisibilidade, a carência de representatividade para crianças negras nos desenhos, livros infantis e nas produções audiovisuais, o que afeta diretamente a autoestima e subjetividade das crianças. O curta traz a reflexão sobre a feminilidade como um ideal branco e a construção da identidade de meninas negras, além de levantar o questionamento sobre os padrões de beleza e responsabilidade dos meios de comunicação. 

 A pergunta que fica com a nossa liddica de hoje é: Em quem as nossas crianças se espelham hoje? 

O curta-metragem está disponível no link: https://www.youtube.com/watch?v=Ll8EYEygU0o

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Entre a Cruz e a Espada – de São Jorge a Ogum

O dia 23 de Abril marca um importante feriado no Rio de Janeiro, onde se celebra o Dia de São Jorge, ou Dia de Jorge, como os afeiçoados ao santo costumam se referir. Entre as várias festas e feijoadas que são preparadas por todo o estado, a principal festividade da data ocorre na Zona Norte da cidade, na Igreja Matriz de São Jorge em Quintino, celebração que arrasta devotos, fiéis, curiosos e entusiastas do santo, que madrugam na igreja para assistir os fogos da alvorada vestidos de vermelho e branco – as cores do santo.

Que Jorge nasce da fé não há dúvidas, mas é no reduto do samba que ele faz a sua morada. Em uma de suas estadias, o santo passa pelo GRES Império Serrano, ou Império de Jorge – O Reizinho de Madureira, onde é celebrado padroeiro, tendo sua imagem exibida em uma carreata organizada pela agremiação pelos bairros do subúrbio, reafirmando a presença do santo no imaginário do carioca suburbano, que não mede esforços para celebrar a presença da fé, seja na igreja, terreiro ou na Marquês de Sapucaí. O protetor, já celebrado por agremiações como GRES Estácio de Sá em “Salve Jorge! O Guerreiro na Fé”, recebe sempre louros por sua presença ímpar na vida de quem o cultua.

Esse ano, fez jornada quádrupla no sambódromo, estando presente desde o abre alas “matando” dragões do GRES Império Serrano, as fantasias da campeã GRES Imperatriz Leopoldinense ao “Ogum de Honda” da GRES Acadêmicos do Grande Rio, porém foi no carro alegórico “Festa de São Jorge”, da Unidos de Vila Isabel, que ficou marcado em nossa memória, sendo essa alegoria considerada a grande imagem do Carnaval de 2023.

Essas representações carnavalescas do sagrado provam que para o carioca não existe falta de oportunidade, nem separação entre a celebração e a homenagem, principalmente quando se trata de São Jorge. Ainda no berço do samba mas fora da avenida, na canção Ogum do homenageado pela GRES Acadêmicos do Grande Rio Zeca Pagodinho, essa visão transparece em versos como “Sim, vou na igreja festejar meu protetor e agradecer por eu ser mais um vencedor nas lutas, nas batalhas.” e “Sim, vou no terreiro pra bater o meu tambor, bato cabeça firmo ponto sim senhor.”

A santidade herdou um dos mais fortes sincretismos em solo tupiniquim, sendo lida como o Orixá Ogum. Edison Hüttner, professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), explica que na época da escravização as pessoas que seguiam religiões de matriz africanas eram pressionadas a se converterem ao catolicismo e uma estratégia para “driblar” essa imposição era adaptar as imagens veneradas pelos portugueses à sua religião.

— Como eles poderiam rezar com os portugueses que os estavam maltratando? Então, eles imaginavam um Deus deles, que veio da África, que é Ogum, para protegê-los. Eles queriam tirar essa imagem de São Jorge com o dragão, da imagem do português escravista. E, para fazer isso, eles estavam diante de São Jorge, respeitavam a sua história, mas, para eles, representava Ogum — esclarece.

Para o historiador Luiz Antônio Simas Jorge é o “Guerreiro nórdico, santo cristão, orixá ao qual se oferece cerveja.” São Jorge é no Rio de Janeiro quem abençoa os bares, as rodas de sambas, trafega com seus devotos nos trilhos de trem e protege os guerreiros do cotidiano contra os dragões da vida. É no encontro entre culturas e no diálogo com a fé que São Jorge vence batalhas com a espada feita na forja de Ogum.

Escrito por Hellen Freitas e Yago Ramos

Referências:

MENDONÇA, Alba Valéria. Santo de festa: amado pelos cariocas, São Jorge foi exaltado nos desfiles da Sapucaí neste carnaval. G1 Globo, 2023. Disponível em: <https://g1.globo.com/rj/rio-de-janeiro/carnaval/2023/noticia/2023/02/21/santo-de-festa-amado-pelos-cariocas-sao-jorge-foi-exaltado-nos-desfiles-da-sapucai-neste-carnaval.ghtml>  Acesso em: 19 de abril de 2023.

SIMAS, Luiz Antonio. As festas dos santos populares como um fator integrante da história da cidade do Rio de Janeiro. Medium Ibase, 2019. Disponível em: <https://medium.com/trincheiras/o-guerreiro-a-santa-e-os-meninos-festas-de-rua-95651a42092a>  Acesso em: 19 de abril de 2023. 

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Leitura da Semana – O Cometa

O debate da semana no LIDD, dia 20/04, foi sobre o livro O Cometa do sociólogo W.E.B Du Bois. 

William Edward Burghardt Du Bois (1868 – 1963) foi uma importante figura do movimento negro estadunidense, tendo publicado ao longo de sua vida diversos livros e participado da fundação da maior e mais influente organização por direitos civis dos EUA a Associação Nacional Para o Progresso de Pessoas de Cor.

Em O Cometa, leitura de ficção especulativa, W.E.B aborda uma Nova York vazia após a passagem de um cometa. O resultado é apenas um homem negro, Jim, e uma mulher branca, Julia, e com eles diversas complexidades em suas vivências.

A conversa, mediada por Luciano Amaral, doutorando pelo PPGCOM/UFF e participante do LIDD, passou por um rico debate entre o apagamento, a construção de identidades, relações interpessoais e conceitos como afrofuturismo e afropessimismo. 

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LIDDICA – “Canção para ninar menino grande” de Conceição Evaristo

A liddica da semana é o novo romance “Canção para ninar menino grande” da autora Conceição Evaristo. O livro une um mosaico afetuoso de experiências negras onde Conceição retrata vivências amorosas e dolorosas. Com a figura do personagem Flo Jasmin, dialoga sobre as complexidades em torno da masculinidade de homens negros e os efeitos que se desdobram em relações com mulheres. Educação sexual, paternidade, solidão e amor também são temas abordados. 

Também autora dos contos Ponciá Vicêncio (2003) e Becos da memória (2006), Conceição Evaristo mais uma vez surpreende o público, contribuindo para a reflexão sobre as necessidades e demandas nas relações de gênero. 

E pra quem for do Rio de Janeiro, temos um super bônus da liddica de hoje: 

Nesta terça, dia 18/04, haverá uma noite de bate-papo e autógrafos com a escritora e o editor do livro, Allan Rosa. Será na livraria Blooks, em Botafogo, às 19h. 

Oportunidade imperdível, hein? 

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Leitura da Semana – Cartas a Uma Negra

Em nosso último encontro, 06/04, tivemos a oportunidade de ler um texto retirado do livro Cartas a Uma Negra, de Françoise Ega. Françoise Ega, (1920-1976) foi uma escritora e ativista social francesa. 

Na leitura, Françoise escreve entre 1962 e 1964 para Carolina Maria de Jesus, escritora brasileira. Por saber da condição que a brasileira vivia e se identificava, a autora enfatiza o fato de sequer precisar ler sua escrita para saber sobre o que Carolina escrevia, exemplificando em sua escrita com a seguinte frase: “As misérias dos pobres do mundo inteiro se parecem como irmãs”.

Por seguinte, o texto passeia por situações que exemplificam tanto uma Paris dos anos 60, quanto um Brasil de 2023. No LIDD, debatemos essa identificação, e como o livro de Françoise denúncia situações tão atuais e tão presentes mesmo 60 anos depois. Ao fim, ficamos com a sensação de contemplação, reforçando o quão importante é escrever sobre nossas dores, documentando nossas vivências para que tenhamos Françoises e Carolinas que nos contemplam em suas escritas.